Jornal A CIDADE

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Júlio Chiavenato

Quinta-Feira, 29 de Maio 2008 - 23h10

Cortar as asas


Não adianta reclamar que vem aí mais uma leva de vereadores. Em Ribeirão Preto serão mais 5, se der certo a jogada dos deputados, que visa principalmente fortalecer cabos eleitorais entre os caipiras. Será inócuo reclamar: com mais 5 ou menos 50 a meleca continuará cada vez pior.
O que se deve discutir é para que servem senadores, deputados e vereadores. A velha falácia de que as câmaras são a “caixa de ressonância” da nação precisa ser revista. Os políticos fazem muito eco, mas a fúria do som se esvai no ar.
Antes do golpe militar de 1964, quando tivemos um dos melhores Congressos no Brasil, de alto nível cultural, à direita e à esquerda, o que fizeram os representantes do povo? O mesmo que fazem hoje os semi-analfabetos que galgaram o poder. Oposição e governistas, como sempre, ignoravam a nação e defendiam seus interesses.
Ao contrário do que se fala em demasia, a resistência à ditadura e a luta pelos direitos do povo não foram o mote central das chamadas casas de lei. O Congresso brasileiro quase sempre trabalhou contra a democracia. A partir de 1961 bombardeou as tentativas de reformas sociais. Foi contra a reforma agrária no período de João Goulart e depois adepta do golpe militar, convalidou a ditadura e a violência institucional. Os que lutaram contra eram minoria e foram cassados, não representavam o Congresso. A Câmara Municipal de Ribeirão Preto foi vergonhosa nesse período.
As câmaras municipais têm se destacado pela corrupção. É preciso repensar para que servem os políticos. E os apressados não se apressem: não se sugere o fim da representação política, mas o debate sobre uma nova forma em que ela seja realmente democrática. E não dê mais asas aos ladrões.

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