Caderno C
Sexta-Feira, 30 de Maio 2008 - 23h6
O MINISTRO E O SANFONEIRO Gilbero Gil canta com Dominguinhos
A voz do povo é a voz de Deus. Seguindo esta premissa, o Prêmio Tim de Música abre cada vez mais espaço para a legítima música popular brasileira. Não apenas aquela que se convencionou chamar de MPB, mas a música que toca nas rádios, no Faustão e vende milhares de discos, apesar da pirataria e da internet. Com a presença de ídolos como Ivete Sangalo, Sandy e Júnior, Zezé di Camargo e Luciano, Zeca Pagodinho e estrelas globais, a sexta edição do evento conseguiu atrair a atenção da mídia e do público numa noite de gala e tietagem.
Quem passou pelo Theatro Municipal do Rio de Janeiro na noite da última quarta-feira teve a sensação de estar diante da versão tupiniquim do Grammy. Enquanto os artistas das mais diversas matizes atravessavam o tapete vermelho, o público, separado por grades de proteção, urrava a cada celebridade que aparecia na frente do teatro.
Estilos variados
Não é preciso dizer que Ivete Sangalo elevou os decibéis da multidão quando apareceu de vestido branco e com o namorado a tira colo. Se Paulinho da Viola foi o grande vitorioso com quatro prêmios pelo disco “Acústico MTV”, a baiana brilhou numa cerimônia em que o caráter democrático prevaleceu. Ivete ganhou como melhor cantora na categoria regional (?!) e no voto popular.
Teve tudo para todos os gostos. Foram 35 ganhadores de um total de 104 indicados. As categorias englobam estilos dos mais variados: da MPB à música erudita, passando pelo pop, rock, samba, canção popular, eletrônico, regional, língua estrangeira e até um tal de “fulltracks” que envolve as músicas mais baixadas em celulares. Nesta, o prêmio foi para os neo-sertanejos Vitor e Léo com a música “Amigo Apaixonado”
Antes da cerimônia começar, os medalhões da música brasileira eram cercados pelos repórteres de todo o país no hall de entrada do luxuoso teatro. Jorge Benjor, que vai cantar no festival João Rock mês que vem em Ribeirão Preto, era um dos mais solicitados. A uma jornalista baiana reclamou do bairrismo soteropolitano.
- Os baianos vivem tocando no Rio e artista carioca não consegue se apresentar em Salvador. Só quando o ministro convida, disse Jorge, sério, referindo-se ao ministro da Cultura Gilberto Gil. Mas Jorge deve ter ficado mais feliz durante o evento quando foi chamado ao palco para receber o prêmio de melhor cantor graças ao disco “Recuerdos de Asunción 443”.
Homenagem
O grande homenageado da noite foi o pernambucano Dominguinhos que, apesar dos problemas de saúde, agüentou firme no palco, onde se apresentou com medalhões como Gilberto Gil e Nana Caymmi até representantes da nova geração como Vanessa da Mata.
A única reclamação do mestre sanfoneiro foram os fones de ouvido utilizados como retorno de voz e que o incomodaram a noite toda. O ponto alto das apresentações foi a parceria com (sim, ela mesmo) Ivete Sangalo em “Gostoso Demais” e com Gil em “Eu só Quero um Xodó”. O ponto baixo foi a dobradinha com a dupla Zezé di Camargo e Luciano nas músicas “Tenho Sede” e “Vida de Viajante”. Zezé se atrapalhou todo ao tentar acompanhar Dominguinhos na sanfona e seu irmão esqueceu a letra e ainda culpou o som pelo erro.
- Vocês me desculpem, mas não estava me ouvindo, disse ao público que lotou o Municipal.
Indies
Os independentes também tiveram vez. O gaúcho Vitor Ramil, irmão de Kleiton e Kledir, e não muito conhecido pelo grande público, foi a grande surpresa da noite. Faturou como melhor cantor na categoria Voto Popular. Já o pernambucano Siba levou pra casa dois prêmios com seu “Toda Vez que eu dou Um Passo o Mundo sai do Lugar” que gravou com o grupo Fuloresta: melhor disco na categoria regional e melhor projeto visual, assinado por Luciana Facchini e os Gêmeos.
- Só posso ter achado bom, né. O prêmio dá uma grande visibilidade e é uma vitória para a música independente, disse em entrevista.
Siba elogiou ainda a “pluralidade” do Prêmio Tim.
- Um prêmio como esse há 15 anos não existia. Era tudo muito segmentado. Nesse sentido as coisas melhoraram, acredita.
Menos vibrante foi a resposta do eterno ex-titã Arnaldo Antunes que venceu na categoria melhor disco de pop rock com o CD “Ao Vivo no Estúdio”.
- Acho que o prêmio é importante sim. É um incentivo à produção e este trabalho foi feito com amor e dedicação, respondeu suscinto.
Mais divertidas foram as Meninas de Sinhá, cantoras mineiras que subiram ao palco a caráter para receber o prêmio de melhor grupo na categoria regional. “Tá Caindo Fulô” é o primeiro CD destas simpáticas senhoras que estavam radiantes.
- É maravilhoso. E se Deus quiser vamos gravar o próximo CD com a participação da Ivete Sangalo, garantiu dona Maria Geralda de Paula toda risonha.
Promessa é dívida.
Mais informações sobre os vencedores do Prêmio Tim no site www. premiodemusica.com.br
(O jornalista Régis Martins viajou a convite da Tim)