Vicente Golfeto
Sexta-Feira, 30 de Maio 2008 - 23h48 Poluímos o meio ambiente. Só de respirar, já somos culpados pela poluição. Que é crescente. Pegada ecológica é a denominação de quanto cada habitante de uma nação – ou de uma cidade – polui o ambiente.
Como se pode planejar um país – ou uma cidade, para mantermos o raciocínio em cenário menos amplo – a fim de que a poluição seja imediatamente neutralizada?
Afinal, preocupações com o meio ambiente devem fazer parte de qualquer planejamento urbano que pretenda, como todo planejamento sério, evitar que o problema criado pela atual geração se transforme em problemas muito maiores para as gerações futuras.
Ou desenvolvimento sustentável não é apenas e tão somente executar uma política ambiental – nos dias atuais – que não venha penalizar aqueles que ainda não nasceram?
Faço estas anotações logo depois que leio, no jornal O Estado de São Paulo, notícia segundo a qual os Emirados Árabes pretendem construir uma cidade – sem automóveis – que apresente nível zero de poluição. Ou, na denominação atual, que cada habitante dela – que não terá mais do que quarenta mil habitantes – não seja responsável por nenhuma pegada ecológica. À primeira vista pode parecer uma versão do século 21 do que Thomas Morus pretendeu ao escrever seu clássico de Ciências Política – Utopia – há mais de quatro séculos. Utopia quer dizer, do ponto de vista etimológico, em lugar nenhum.
Dizem que perigoso não é pensar grande e não conseguir. Perigoso é pensar pequeno e conseguir. Os árabes dos Emirados estão pensando, sem dúvida nenhuma, muito grande.
Cidade pequena, para os padrões metropolitanos dos dias de hoje, com preponderância de transporte coletivo e sem automóveis, pode parecer algo inalcançável sobretudo se pensarmos que ela, mesmo planejada para ter apenas 40 mil habitantes, contará com seres humanos cuja marca é a ambição e o interesse.