Júlio Chiavenato
Sabado, 31 de Maio 2008 - 15h31 O doutor Rogélio Genari tem razão: devo ter qualquer coisa de psicótico-neurótico-esquizofrênico. Não é que eu pesadelei com o doutor prefeito? Se não acordo a tempo caía num buraco que ia dar no inferno, com direito a fogueira e satanás. No pesadelo sobrevôo o mundo, vasto mundo, não me chamo Raimundo e das soluções não encontro nem a rima. Voando com asas sem penas e gosmentas como a de um diabinho, vejo um grupo de senhores respeitáveis em retiro espiritual. Eles batem no peito e invocam o doutor Deus.
Do meio deles sai o doutor nosso prefeito, sorriso aberto para o doutor Deus. O doutor Deus diz-lhe, sim! sim! sim, salabim! Abre a imensa bocarra divina e dela vomita um monte de doutorzinhos gasparininhos, que saem em fila indiana formando uma fanfarra a entoar a musiqueta celestial: “Sim, salabim, vote em mim!”
Senti um cheiro de enxofre, pensei que viesse do doutor Deus, pois ele, ao vomitar os prefeitinhos arrotou com estrondo, que se ouviu do Oiapoque ao Chuí, com regurgitações nos canaviais. Mas qualoquê, era um buraco bitelo que se abriu no meio do calçadão; dentro dele emerge Satanás e quer me cutucar a bunda com um tridente. Saltei de banda, tropicando nos prefeitinhos recém-criados pela vontade divina, mas me cercou o próprio doutor Welson Gasparini, feliz da vida, pois tinha ouvido da boca do doutor Deus que mais uma vez seria eleito.
Abalei carreira, mas vejam o que é a natureza, se a gente corre o bicho pega. O doutor prefeito me catou pelo cangote e disse que ia me entregar ao doutor Deus. Me conformei uai, pelo menos vou ver a face de Deus. Tomei tento e vi o carão do doutor Deus. Acordei aos berros: credo-em-cruz!, era o Plínio Salgado. Chamem o diabo!