Especial
Sabado, 31 de Maio 2008 - 15h53 O psicólogo Sérgio Kodato, professor da USP-RP, explica que um conflito traumático, muito provavelmente com parentes mais próximos, possa ter levado dona Marilda Maria Bertochio ao que ele chamou de “neurose urbana atual”.
“Quando um conflito pessoal ou familiar evolui, a pessoa mais afetada passa a se relacionar com animais, especialmente o cão, que é o símbolo da lealdade”, diz.
Kodato cita que é comum, especialmente em grandes centros, como São Paulo, a pessoa conviver apenas com animais, gatos ou cachorros, ter um, dois ou até três em casa ou apartamento.
Dona Marilda, certamente, começou assim. Hoje, ao manter 50 cães em sua casa, teve a situação levada a extremos. Para Kodato, ela pode estar na fronteira da perda da noção de realidade.
“Nesses casos, a pessoa se isola, passa a evitar contatos. Ela resolveu dedicar inteiramente sua afetividade aos animais”.
Cuidados com doenças
O cirurgião e clínico geral Clodoaldo Franklin de Almeida alerta que dona Marilda pode ser vítima de doenças cutâneas, provocadas pela sarna, por exemplo.
Doenças de pele também podem ser transmitidas. Em relação à erisipela, trata-se de um mal que não teve a participação dos animais.
O maior perigo da erisipela é o comprometimento das pernas, capaz de impedir dona Marilda de manter sua casa sempre limpa, bem lavada.
O pêlo do cachorro, em alérgicos, pode provocar crises de bronquite. Em outras pessoas, o contato prolongado e com grande número de cães, pode trazer conseqüencias ao longo do tempo. O carrapato também é um inimigo da saúde. De todas elas, o pior é a raiva. “É preciso manter os cães permanentemente vacinados”, disse o médico.