Jornal A CIDADE

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Vicente Golfeto

Terça-Feira, 3 de Junho 2008 - 23h20

Tempo da segurança


O embate entre estado – cada vez mais fragilizado com a globalização – e cidadão, cujo coletivo não é sociedade, ganhou novo matiz depois do 11 de setembro, na expressão do então primeiro ministro britânico, Tony Blair. Este duelo, atualmente, acontece na área projetada pela segurança junto com a liberdade civil.
Há defensores de ambos os lados. Os defensores da primazia da segurança sobre a liberdade civil olham a realidade sob outra ótica, outro ângulo, depois da nova modalidade de terrorismo imposta por fanáticos islâmicos. Os Estados Unidos – pátria das liberdades civis – continuam definindo seus inimigos pelo viés ideológico. Quem não respeita o estilo de vida americano – comunistas, traficantes, islâmicos – é seu inimigo. É inimigo declarado. Pois bem, até este país começa a ampliar o conceito de segurança, fazendo as liberdades civis subordinarem-se-lhe.
Já os liberais extremados – que muitos denominam de democratas exacerbados – dizem que não existe nenhum equilíbrio entre liberdade civil e segurança nacional. A liberdade civil – para eles – é absoluta. E a segurança, sua serva.
Será que mudou tudo, depois de 11 de setembro, data marcada pelo episódio das torres de Nova York? Bem, pode-se – a partir daí – estar ante uma nova fase, um novo período histórico. Esta fase seria exatamente aquela que marcaria o início da derrocada da revolução americana de 1776, fato confirmado pela seguida perda de força do império norte-americano.
A revolução soviética de 1917 já se esgotou. A revolução francesa de 1789 esgota-se gradativamente. A conseqüência é que a França torna-se país de segunda categoria.
Da era das revoluções, restava a norte-americana, marcada pela garantia absoluta da privacidade, conseqüência das liberdades civis. Que começariam a morrer também em decorrência do crescimento da segurança nacional. A liberdade seria serva da segurança.

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