Júlio Chiavenato
Terça-Feira, 3 de Junho 2008 - 23h20 O desmatamento na Amazônia bate recordes históricos. O desmatamento não se limita “apenas” à derrubada de árvores, mas na destruição de um sistema ecológico onde o homem é a principal vítima. Como dizem com razão aqueles que cobiçam a Amazônia, as vítimas não são só os nativos, mas toda a humanidade.
O pior em um confronto ou debate é dar razão ao inimigo. Isso o governo brasileiro faz com sobras, ao permitir e ser cúmplice da destruição da floresta. Não só o governo Lula, mas todos os anteriores. A razão oferecida ao inimigo é usada ardilosamente: ele finge se horrorizar com a devastação da floresta, para ter argumentos que justifiquem reivindicar a sua “tutela”. O que eles querem mesmo são os minérios, madeiras e a imensa riqueza natural, além das reservas de água doce.
Tudo sabido, mas no Brasil a verdade é ignorada pelas conveniências de momento, canalhice política e alienação do povo. Os brasileiros ignoram quase tudo o que acontece no país, não sabem as ameaças que sofrem e nem percebem o quanto são esbulhados e vivem mal.
Quem sabe finge esquecimento: a Petrobras só existe porque um grupo de inconformados saiu às ruas pichando paredes. Depois de muitas prisões e algumas mortes, a campanha do “petróleo é nosso” ganhou força. A imprensa negava a existência de petróleo no Brasil e quando foi impossível mentir, quis entregá-lo às multinacionais. A Petrobras, hoje uma das maiores e mais eficientes empresas do mundo, só vingou com o suicídio de Getúlio Vargas.
Os tempos mudaram. Já não existem presidentes que dão um tiro no coração, mas sobram pacóvios achando que os gringos tratariam melhor a Amazônia e “salvariam o planeta”. Quem sairá às ruas em sua (nossa) defesa?