Opinião
Terça-Feira, 3 de Junho 2008 - 23h21 As dificuldades do sistema prisional ganham agora um novo componente. Se não bastassem problemas da superlotação e da destruição provocada pelas rebeliões dos presos, agora é a entidade dos funcionários que se mobiliza, diante da notícia de um suposto suicídio, que teria sido consumado dentro da Penitenciária Feminina de Ribeirão Preto.
Segundo carta enviada à redação, assinada por Funcionários da Penitenciária Feminina, com cópia para a Corregedoria e para o SAP- Serviço de Assistência Penitenciário- um funcionário que teria transtornos psiquiátricos estaria, indevidamente, trabalhando armado. E teria atirado no próprio abdômen. Socorrido, ele morreu no Hospital das Clínicas.
O nome do funcionário não é divulgado pelos colegas. Também não é praxe do jornal divulgar suicídios, mas, dentro desse contexto, o fato ganha contornos que exigem investigação, reflexão e providências.
Espera-se que o SAP apure - como promete - os fatos. E o grito de socorro dos funcionários precisa ser ouvido. Como os presos, eles vivem sob forte carga de estresse e insalubridade emocional.
Precisam, certamente, de eixos terapêuticos, para suportar tantas pressões no dia-a-dia e realizar com competência o duro trabalho que fazem.
Além disso, necessitam de cursos de reciclagem, valorização profissional e outros diferenciais que justifiquem o ônus de um exercício tão difícil e tão especial.
Com agentes penitenciários mais preparados, protegidos e esclarecidos, ficará mais fácil reordenar caminhos para tirar o sistema carcerário de uma das piores crises de sua história.