Vicente Golfeto
Quarta-Feira, 4 de Junho 2008 - 21h46 Não é bom consertar o telhado da casa enquanto está chovendo. É o que diz velho provérbio brasileiro. Os provérbios são a sabedoria do gênero humano, sedimentada durante muito tempo.
Exatamente por isto, preferimos falar de enchentes quando elas já passaram. Mas, certamente, voltarão como marca registrada das cidades brasileiras. Uma espécie de constante na equação dos problemas urbanos.
Há argumentos válidos. Se no passado não se tivesse permitido a ocupação de brejos, de baixadas, não haveria enchentes. Pelo menos nas proporções que, há muito tempo, se tem. E de maneira cada vez mais acentuada. Para ficarmos aqui em Ribeirão Preto apenas, a imprensa – não raro – divulga fotos da década de vinte do século passado onde se pode ver o nível das águas invadindo ruas. Algumas, como a do cruzamento da rua Saldanha Marinho com a avenida Francisco Junqueira, sempre aparecem em novas edições da mídia. E agravadas. Afinal, a impermeabilização do solo faz as águas correrem mais na superfície das artérias com as conseqüências que todos conhecemos.
Mas, a lei é inferior – em poder – à necessidade, matéria prima com que se faz Economia. Percebendo claramente este fato, Santo Agostinho nos diz que “a necessidade não conhece leis”. Além da necessidade, há um componente cultural. Nós temos famílias com sobrenome Ribeiro, que quer dizer “habitante próximo a riachos, córregos, rios”.
Os atingidos pelas enchentes não podem ficar sem auxílio e proteção do setor público. Que precisa – para tanto – de ser cada vez menos estatal e cada vez mais público. É sua elevação à condição de detentor de cidadania. Afinal, cidadão é aquele ser que sabe que nunca está sozinho no mundo.
Corrigir, ainda que parcialmente, os erros do passado e evitar a repetição dos mesmos erros – tanto no presente quanto no futuro – é tarefa de governantes que podem merecer a alcunha de bons alunos da História.