Jornal A CIDADE

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Júlio Chiavenato

Quarta-Feira, 4 de Junho 2008 - 21h46

A casca e a conta


Políticos antigos (e nem tanto) abasteciam os humoristas. O exotismo de Jânio Quadros rendeu piadas e charges clássicas na história do jornalismo. Ademar de Barros, o homem do “rouba mas faz”, despertava o deboche em resposta ao seu despudor. Getúlio Vargas foi caricaturado desde o Cassino da Urca lá por 1930/40, até as imitações no teatro de revista. Raramente eles provocaram desprezo ou ira. E quando isto aconteceu foi por razões sérias.
Hoje, os vereadores de Ribeirão Preto, pelo despudor como agem em causa própria e a nenhuma percepção ética da realidade social, produzem desprezo e revolta em todas as camadas sociais. As cartas enviadas aos jornais comprovam o que a sociedade pensa deles.
Talvez (e só talvez!) fora uma ou outra exceção, já não há o que falar deles: eles perderam a medida da seriedade política há tempos, repetem-se na tentativa de tirar vantagem das mínimas brechas legais e navegam na irresponsabilidade, sem o mínimo cuidado com a Constituição. São condenados, dão nó em fumaça, fazem da condenação uma vantagem (como devolver o que receberam indevidamente em suaves prestações, sem nenhuma punição) e voltam a “agir” (verbo que para eles precisa levar aspas), reincidindo na infração.
Depois de provocarem tanta indignação em tempo tão curto, voltam à carga, agora com o vereador Sílvio Martins antecipando-se ao Congresso e propondo a criação, por conta própria, “preventivamente” como ele diz, de mais cinco vagas para vereador. É demais até para uma cidade amorfa politicamente como Ribeirão Preto.
A famosa “sociedade civil” não tem defesa contra eles. Fazem o que entendem e nos dão uma banana. Se a gente escorregar na casca eles processam. E pagamos a conta.

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