Jornal A CIDADE

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Júlio Chiavenato

Quinta-Feira, 5 de Junho 2008 - 23h26

Amazônia-1


As maiores reservas de urânio do mundo estão no Roraima, que estão dentro da terra ianomâni. (...) uns 10 ou 15 ianomâni, os mais destacados da comunidade, estão na América, aprendendo inglês, aprendendo uma porção de coisas, e aprendendo uma política. (...) daqui a dois ou três anos essa gente volta para as tribos ianomâni, falando inglês, com uma outra mentalidade. E o que eles vão fazer? Eles vão pedir um território ianomâni desmembrado do Brasil e da Venezuela. E a ONU vai dar. E dará como tutora, no começo, dessa nova gleba, a América do Norte. Amor dos americanos em relação aos ianomâni? Não senhor.”
A declaração é de Orlando Villas Boas, um dos maiores indigenistas brasileiros de todos os tempos, feita pouco antes de morrer em 13-12-2002. Está no YouTube e foi ignorada pela imprensa.
O comandante das tropas brasileiras na Amazônia, general Augusto Heleno, em abril alertou o presidente Lula sobre a ameaça concreta que sofre a região, já “ocupada” por centenas de ONGs, quase todas estrangeiras.
Para não recuarmos 500 anos, lembramos que no começo do século passado o marechal Rondon expulsou da Amazônia “missionários” e “pesquisadores” que ocuparam as margens do rio Jamari. Ali ele fundou um “posto indígena” que funcionou como sentinela avançada para impedir a entrada de invasores norte-americanos, vindos do Peru e da Bolívia.
Depois de 500 anos de assalto à Amazônia, depois do marechal Rondon, depois de Orlando Villas Boas, apesar do alerta do general Heleno, nada de concreto se faz para defender de fato o território mais rico do mundo. Nenhum governo defenderá a Amazônia. Só um povo com consciência histórica e política. A questão é: de onde nasce essa consciência?

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