Júlio Chiavenato
Sabado, 7 de Junho 2008 - 0h13 Como se constrói uma consciência histórica e política? Só os gênios sabem. Mas todos sabemos como se processa a submissão cultural, porta arreganhada para o colonialismo econômico. Para sabê-lo basta viver no Brasil: é o sistema neocolonialista que nos oprime.
Em país que nos últimos 40 anos, sistematicamente arruinou o pouco que havia de bom na Educação (e o principal desmonte ocorreu no estado de São Paulo, o centro mais adiantado), não se admira sofrermos todo tipo de pressão cultural, política e, agora, ameaça territorial, com a cobiça explícita pela Amazônia e a cumplicidade de boa parte dos aproveitadores internos, contando com a covardia dos governantes.
A defesa do ambiente (total, incluindo a cultura e a nacionalidade), antes de ser política é uma questão filosófica. Nenhuma luta ou simples resistência contra o colonizador tem efeito se não for radical. É preciso não ter medo da palavra: radical, no sentido de ir às raízes dos fatos; e, como ensina aquele barbudo odiado, que muitos pensam estar morto e enterrado, “para o homem, a raiz é o próprio homem”.
O homem está inserido na natureza, como desconfia até o conselheiro Acácio. Defender a natureza é defender a humanidade. A humanidade tem várias características e um valor universal: a vida. Apesar dos vendidos e aproveitadores os brasileiros fizeram o Brasil, precisam agora defender o que os colonizadores ainda não conseguiram açambarcar. É preciso defender a Amazônia, porque antes de ser “patrimônio da humanidade” ela é nossa. Porque a Amazônia pode ser, em futuro bem próximo, a fonte de equilíbrio do mundo e manancial de riquezas para o Brasil. Por isso a cobiça internacional está de olho nela. Abra os olhos.