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Sabado, 7 de Junho 2008 - 15h40

Ribeirão Preto perde transplantes

Nicola Tornatore
MATHEUS URENHA Ribeirão Preto perde transplantes EXCELÊNCIA Dr. Orlando Costa e Silva Júnior coordena o Grupo Integrado de Transplante de Fígado do HC

Terceiro centro hospitalar do interior paulista a realizar transplantes de fígado, o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto tem condições de realizar até 50 transplantes por ano.
De janeiro a maio deste ano, porém, só conseguiu fazer cinco cirurgias. O coordenador do Grupo Integrado de Transplante de Fígado, Orlando Costa e Silva Júnior, chefe da Divisão de Cirurgia Digestiva do HC, aponta dois fatores para a ociosidade: a falta de órgãos e os baixos estoques de sangue do Hemocentro.
“O primeiro transplante foi em maio de 2001. Fizemos 16 transplantes em 2006, 19 no ano passado e pretendíamos realizar pelo menos vinte este ano. Mas não estamos encontrando órgãos e, quando conseguimos algum, ainda enfrentamos problemas com a falta de sangue”, revela o médico.
Segundo ele, este ano dois transplantes não aconteceram por falta de plaquetas (um hemoderivado). “Num caso, o paciente estava na mesa de cirurgia, aberto, mas sofreu uma hemorragia muito grande e tivemos de cancelar o procedimento, não havia plaquetas em número suficiente”, conta. O fígado doado foi levado para Campinas e transplantado em outro paciente.
“No outro caso, conseguimos um órgão, mas nem o trouxemos para Ribeirão por causa dos estoques baixos de plaquetas. Parece que foi para São José do Rio Preto”, explica.
O Hemocentro vem desde o final do ano passado operando com estoques 25% abaixo do normal.
“E o ritmo de doações de órgãos está muito abaixo do ideal. Em países desenvolvidos, existem 25 doadores efetivos por milhão de habitantes. Aqui, são apenas cinco”, reclama.
Para atingir a meta de 50 transplantes por ano, faltam, segundo ele, uma maior consciência dos colegas médicos sobre a importância da doação, uma melhor estrutura hospitalar para viabilizar a coleta dos órgãos e uma cultura maior, entre as famílias, de oferecer os órgãos de pessoas com morte cerebral.
“Temos 110 pessoas na fila de espera. Ela só não é maior porque 30% dos pacientes morrem enquanto aguardam o transplante”, revela.


Sincronia define sucesso das cirurgias
Meia-noite, o telefone toca avisando que um fígado compatível pode ter sido localizado.
Uma hora depois, a paciente chega ao HC e passa pelos primeiros exames.
Se estivesse com uma simples gripe, seria descartada – um segundo paciente, que também foi acordado e já está no HC, “herdaria” o fígado.
Começa então a espera por um telefonema da equipe que foi investigar as condições do órgão que está sendo doado. No meio da madrugada, vem o aviso: “O fígado está bom, podem abrir a paciente”.
A paciente é levada à sala de cirurgia enquanto o fígado a ser transplantado viaja, dentro de uma caixa térmica com gelo. A operação começa no início da manhã e dura catorze horas.
“É tudo cronometrado, sincronizado. Parece coisa de cinema”, brinca a paciente Mariângela Coelho (leia mais na página A18).

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