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Sabado, 7 de Junho 2008 - 18h11

Cresce o uso inteligente dos recursos naturais nos edifícios

Valeska Mateus
WEBER SIAN Cresce o uso inteligente dos recursos naturais nos edifícios LANÇAMENTO Empreendimento da Ecoesfera: conceitos sustentáveis

Até bem pouco tempo atrás, o conceito de construções verdes, que adotam sistemas que fazem o uso inteligente dos recursos naturais, como água e energia, era restrito a empreendimentos comerciais e industriais. Atualmente, esse conceito ganha cada vez mais espaço nos edifícios residenciais e já é possível viver em prédios assim em Ribeirão Preto.
Entre incorporadoras da cidade e da capital paulista adeptas desses sistemas, a ‘ordem’ é valorizar a responsabilidade socioambiental nos projetos.
Nessa linha a Ecoesfera, com matriz em São Paulo, lança esta semana, em Ribeirão Preto, o Ecolife Jardim Botânico, direcionado para a classe média. O edifício vai contar com 16 itens considerados ‘ecologicamente corretos’, que além de preservar o meio ambiente, geram economia para o condomínio e qualidade de vida aos moradores.
“Temos sinais claros do esgotamento dos recursos naturais do planeta. É preciso levar o mercado a rediscutir o conceito de residência, até mesmo por conta das próprias solicitações dos clientes”, comenta Luiz Fernando Lucho do Valle, engenheiro e presidente do grupo Ecoesfera, certificada com o “Green Built”, conferido pela United States Green Building Council (USGBC), organismo americano sem fins lucrativos.
Na opinião de Valle a maioria dos empresários do setor ainda não está verdadeiramente preocupada com a questão. “Estão divulgando ações e sistemas que na prática não colaboram para a preservação do meio ambiente. Fazem uso desse conceito como uma questão de marketing”, afirma.
A arquiteta e gerente de Planejamento da Habiarte Barc, com sede em Ribeirão Preto, partilha da mesma opinião. “Ainda existe um enfoque por marketing, mas o conceito é uma tendência que veio para ficar”, diz. “É inevitável que a preocupação ambiental seja nivelada por cima por parte das incorporadoras”.
Ambos acreditam que a mudança de postura deverá acontecer a curto prazo. “Vejo sinais de mudança, alguns empresários já estudam o assunto e acredito que já no próximo ano muitas empresas já estarão atuando de forma séria”, diz.
A Habiarte Barc passou a adotar sistemas de sustentabilidade em seus empreendimentos desde o começo da década. Inicialmente com a segregação de materiais recicláveis para a redução de entulhos e desde então foram incorporados outros itens.
“Tem sido uma crescente, principalmente por conta da pesquisa de pós-ocupação dos clientes. A reutilização da água, por exemplo, adotamos em 2004 e buscamos sempre diferenciais numa constante evolução”, comenta Teresa.
No mais novo empreendimento da empresa, o Porto Búzios Condo Clube, a ser lançado no próximo dia 16 deste mês, são seis diferenciais, incluindo a utilização de madeira certificada, medição de energia e gás individualizada e aproveitamento da água da chuva para jardinagem e limpeza.
“Temos essa preocupação já na concepção do projeto arquitetônico, desde a planta, em que trabalhamos com vãos maiores para aumentar a captação da luz solar”, ressalta Teresa.
“Nosso foco é pegar recursos de sustentabilidade e trazê-los para a prática da construção civil, tanto nas obras como na vida do usuário final. Usufruir das suas vantagens”, acrescenta.

Custo e valorização
Mas esses diferenciais de sustentabilidade geram um custo adicional na obra, que pode chegar a 15%. “Para muitos empresários esses custos operacionais podem dificultar a venda”, declara Valle.
“Eles não perceberam que é possível reverter isso através de planejamento”. Outro ponto seria a falta de percepção do peso desses itens na decisão do consumidor.



Teresa concorda com essa justificativa e afirma que as pessoas já se sujeitam a pagar um pouco mais por este tipo de empreendimento. “As empresas vão reconhecer que esse custo se reverte facilmente na vida do empreendimente, na sua valorizaçao e na taxa de condomínio. No Porto Búzios temos pré-reservas por conta das vantagens ecólogicas, é uma realidade de mercado. Em Ribeirão Preto temos um público com cultura e massa crítica elevada.”, diz Teresa.
Na Ecoesfera em mais de 50% das vendas a questão de sustentabilidade é colocada como razão de compra pelos clientes. Está no topo da pirâmide na comercialização dos empreendimentos da empresa. “O público valoriza essa preocupação e a tecnologia adotada para respeitar o meio ambiente”, afirma Valle.
Existe uma tendência mundial de valorização dos prédios verdes. Valle cita como exemplo os EUA. “Lá os empreendimentos que não adotam esse conceito já são considerados de segunda linha e a preocupação com o tema valoriza um imóvel considerado sustentável em torno de 20% no ato da revenda”, fala.

Equacão dos custos
Segundo o diretor a Ecolife é possível neutralizar o custo, ao ponto do valor final para o cliente ficar até 3% mais barato do que outro imóvel do mesmo porte e sem a bandeira sustentabilidade. “Conseguimos através da montagem de uma linha de produção, com padronização de projetos e materiais, como se fosse uma escala industrial. Até o processo construtivo adotado é com fôrmas de alumínio, que permite o prédio interio seja feito de concreto armado, sem vigas e pilares”, explica Valle.
Segundo ele, o resultado é a otimização de prazos e de custo financeiro. “Conseguimos edificar um torre de 15 pavimentos em torno de 45 dias, contra os seis meses padrão. Assim os prazos de entrega caem de 36 ou 24 meses, para 18 a 20”, diz.
A Habiarte Barc também tem estratégias para equacionar esses custos. “Revertemos buscando soluções de aumento de produtividade e redução de desperdício”, afirma Teresa.

Economia
A churrasqueira ecológica na varanda, com o uso de rocha vulcânica ao invés do carvão, que gera gás carbônico e cinzas, é um dos diferenciais desenvolvidos pelo Ecoesfera, assim como a tubulação de cobre para escoamento do óleo de cozinha. “O óleo vai para uma reservatório é recolhido e vendido para geração de biocombustível ou sabão, gerando renda para o próprio condomínio”, explica.
Coleta de água para irrigação, medidor individual e torneira com temporizador, redutor de chuveiro, vaso com descarga água reutilizada interferem na taxa de condomínio. Além da eficiência energética conseguida com as placas solares na cobertura para geração de energia de áreas comuns, pré-aquecimento para os chuveiros a gás e aquecedores individuais entre outros itens.
De acordo com Valle os 16 diferenciais de sustentabilidade geram uma economia de até 30% na taxa de condomínio.

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