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Arquitetura

Sabado, 7 de Junho 2008 - 18h14

Poltronas dão o tom na Casa Cor SP

Valeska Mateus
LETÍCIA LOVO/ESPECIAL Poltronas dão o tom na Casa Cor SP VOLTAIRE De Sérgio Rodrigues confere atualidade ao living do hóspede, assinado por Roberto Negrete

De design arrojado, confortáveis ou extravagantes, as poltronas da Casa Cor SP 2008 ganharam destaques e deram o tom a diversos ambientes. Essa peça da decoração às vezes ultrapassa o limite do mobiliário e chega a ganhar ares de escultura.
Para a arquiteta ribeirão-pretana e proprietária de uma loja especializada, Inês Aquino, a poltrona se torna uma chance de fazer o show na Casa Cor SP, já que nos volumes maiores costuma-se optar pelas peças mais básicas e cleans. “A poltrona é um produto que marca o ambiente e reforça a questão do conforto individual. Nela os profissionais podem explorar, ousar, dando mais personalidade ao espaço”, comenta
No living de hóspedes assinado por Roberto Negrete, a poltrona Voltaire desenhada em 1965 por Sérgio Rodrigues confere atualidade e ganhou nova roupagem, em pele de vaca. “Trouxe conforto e se tornou a paça-chave e deu um toque de modernidade ao ambiente mais conservador”, comenta a arquiteta ribeirão-pretana Inês Aquino.
Até mesmo o designer Philippe Starck foi seduzido pela peça e vai utilizá-la em seu projeto de um hotel, no Rio de Janeiro. “Quando o design é belo o produto se eterniza. A Voltaire está sendo usada até hoje como vanguarda, apesar de seus mais de 60 anos. E agora entra no projeto mais badalado do Rio, o maior ícone do design mundial está reconhecendo o valor da peça”, analisa Inês referindo-se a Starck.
A arquiteta comenta que a maioria dessas peças forma releituras da poltrona ‘bergere’. Uma poltrona clássica e antiga, destinadas principalmente à leitura, por conta do apoio superior lateral. “São versões contemporâneas que mantêm a sua função”, explica.
Para ela, além do design, o primordial na escolha da peça é o conforto. “O ideal é unir conforto e identidade. Isso é ponto pacífico. Ela precisa ser funcional”, declara.
Na sua opinião, as poltronas da ‘Cabana’, projeto do arquiteto Roberto Migotto unem essas características. A poltrona preta Ardea da Zanotta “É longelínea e criou uma atmosfera de leitura e intimista. Dá vontade de sentar e ler, ou seja, ela cumpre a função pensada para o espaço”, avalia.

Extravagância
A extravagância da caldeira Blindada de vidro, com marcas de projéteis de balas de revólver calibre 45 e 38 e a cadeira Anjo, em acrílico e pés em ferro, lançada durante o Salão Internacional do Móvel de Milão deste ano, ganham ares de escultura no Estúdio 2 , assinado pelos próprios designers Alessandro Jordão e Kiko Sobrino, do Studio Mãos Contemporary Art. Num projeto pop que mescla design, fotografia, artes plásticas e arquitetura.
Mas peças mais arrojadas e exóticas, para Inês, ultrapassam o sentido do mobiliário. “Acabam tendo uma conotação de escultura e auto-afirmação de quem vive no ambiente, se tornam um objeto de desejo. Marcam a sua personalidade”, opina.
De fato, poltronas e cadeiras tão marcantes são mais restritas, nos espaços residenciais reais elas dependem da criação de um contexto para inseri-la no ambiente. “Tudo pode ser bonito desde que ser crie essa harmonia. É fundamental a sensação que o ambiente lhe provoca”, declara.
A Casa Cor SP vai até 9 de julho, no Jóquei Clube (www.casacor.com.br).


As poltronas: conforto, design e equilíbrio de volumes
Inês define a poltrona como uma peça fundamental na decoração. “Não é apenas um complemento. Ele proporciona equilíbrio de volumes, cria espaços individuais e gera conforto”, define.
“Em composição elas permitem agregar várias personalidades, como produto e usuário”, diz.
Inês cita o espaço do Migotto, em que um sofá se equilibra com quatro poltronas de três modelos diferentes. “É uma mostra de que a composição pode provocar uma sensação prazerosa e de respeito aos diversos biotipos. O importante é criar equilíbrio entre os revestimentos e linhas”, completa.
E além do charme, as poltronas diferem dos sofás pela versatilidade. “Ela tem mobilidade, pode ser articulada dentro do espaço, conforme o desejo”, diz.
“Algumas peças se aproximam de uma obra de arte”. E ter uma bela peça, não está necessariamente vinculado a um alto custo.
“É uma questão de identidade, de assumir aquilo que nos satisfaz tanto na estética, quanto no conforto”, conclui.

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