Vicente Golfeto
Sabado, 7 de Junho 2008 - 18h21 Karl Popper dizia que “nenhuma explicação é suficiente”. O que põe a nu um fato: aquele segundo o qual a verdade é sempre parcial e provisória. Ou não é com dúvida que fazemos ciência? A religião – oposto de ciência – é feita de certezas.
Pois bem, vamos adentrar ao campo da ciência política e tentar identificar uma questão: a corrupção está aumentando em nosso país – para ficarmos apenas e tão somente por estes lados – ou a democracia está esvurmando a bostela que escondia a infecção? Esta a questão.
O melhor antídoto para a corrupção é a democracia, o regime em que os meios de comunicação precisam de – no desdobramento das contradições do próprio regime – exercer suas funções em plenitude. Para completar a citação de Karl Popper, lembramos do escritor russo Anton Chekov, que dizia que “o homem se tornará melhor quando você lhe mostrar como ele é”. Claro, sabemos que, por dentro, o ser humano não é mesmo bonito.
Corrupção é uso de recursos públicos para obtenção de benefícios privados. Não é apenas isto mas é principalmente isto. Quanto mais distribuído o poder político, quanto mais poder tiverem os cidadãos – conseqüentemente, menos poderes concentrados nas mãos do setor estatal – menor a corrupção. Porque o poder passa a ser mais privado. Ao lado do poder estatal, lembremos que deve estar o poder econômico. Este precisa de se deslocar das mãos dos segmentos burocráticos e descerem até os cidadãos. Que não podem – também – terem diferenças muito acentuadas de poderes econômicos entre si. A partilha dos recursos de maneira menos injusta é a receita para se combater a corrupção.
A experiência tem mostrado este lado. E a experiência é que põe a razão à prova. Países democráticos não têm corrupção? Claro que têm. E muita. Mas ela é punida nos termos da lei. E, por conseguinte, bastante reduzida quando a comparação é com seu potencial desagregador.