Júlio Chiavenato
Sabado, 7 de Junho 2008 - 18h21 Mais que uma classe, há uma casta na sociedade brasileira que vive em casulos. Constroem um escudo contra o mundo e providos do que precisam, ignoram o resto dos mortais. Sabem que os pobres existem, porque o conforto que desfrutam depende do trabalho de milhões de excluídos que sobrevivem humilhados e carentes de quase tudo.
Para entender o Brasil, algumas vezes não bastam o conhecimento e o saber. É preciso não ter medo do ridículo e enfrentar o que os “racionais” desqualificam como demagogia ou pieguismo. Chegamos ao ponto em que a defesa dos pobres já não pode ser feita pelos seus aliados naturais: as forças revolucionárias que pretendiam uma nova sociedade. Elas foram vencidas e enterradas, alguns fantasmas existem por aí, mas não assustam mais ninguém e vivem de explorar uma imagem que a cada dia se apaga mais.
Resta o populismo. A emoção. Quando se vê na televisão (e ao vivo, em cores e lágrimas de ira e dor, como tenho visto) os pobres queixando-se do descaso, desprezo e humilhação que sofrem nos postos de saúde e nos hospitais, o que fazer? Qual a reação daqueles que ainda têm um mínimo de solidariedade humana? Sentir dor ou revolta? E como “administrar” esses sentimentos?
O Brasil é um palco escondido de dor, cujo retrato em Ribeirão Preto, na área da saúde pública, não é dos piores e, mesmo assim, pior não poderia ser. Em Ribeirão Preto, diariamente, centenas de cidadãos aglomeram-se em cada posto de saúde, com dor física provocada pela doença; e dor moral, pelo desprezo como são tratados.
Nos seus casulos os poderosos fingem não saber. Os políticos mentem e sorriem aos eleitores. Os “técnicos” prometem soluções falaciosas. No fundo, todos desprezam os pobres.