Especial
Sabado, 7 de Junho 2008 - 20h11 A ssociações de prostitutas de todo o país vão lançar campanhas este ano incentivando as profissionais do sexo a assumirem para os recenseadores do IBGE que sustentam a família com o que ganham na rua. Eles vão começar a coletar dados para o Censo de 2010 a partir do próximo ano.
Em 2000, o IBGE constatou que 5.304 pessoas no país sobrevivem da prostituição, 83% são mulheres e 17%, homens. “Os números estão errados, existem mais. O problema é que elas têm vergonha de assumir”, diz Gabriela Leite, presidente da ONG DaVida, que representa prostitutas de todo o país e tem sede no Rio de Janeiro.
Segundo ela, a partir do momento em que as prostitutas assumirem a profissão será mais fácil para as entidades cobrarem do governo programas de atendimento às profissionais do sexo.
“Se depender de mim eu não assumo. Não ganho nada com isto”, diz uma prostituta que faz ponto na avenida Brasil, em Ribeirão Preto.
Na última quinta-feira a reportagem esteve no local e encontrou 75 mulheres fazendo programas. A maioria diz que não tem a intenção de assumir a profissão.
A mulher de 21 anos, de pernas grossas, afirma que é casada e que apenas o marido sabe da profissão dela.
“Comecei a fazer programa há seis meses porque trabalhava em uma loja e ganhava pouco. Aqui ganho mais que o meu marido e ajudo a sustentar minha filha de 3 anos. Não tenho intenção de assumir que sou garota de programa”, conta.
A amiga dela, de 18 anos, veio de Goiânia e já faz programas há mais de um ano. Começou em Brasília e está em Ribeirão Preto há oito meses. Ela já tentou arrumar outro emprego, mas não se deu bem.
“Comecei indo em festas e ganhava R$ 50 e, às vezes, R$ 100. Aqui na rua ganho mais. Tentei trabalhar em outros lugares, mas não deu certo. Como quero arrumar outra profissão não vou assumir nunca que sou prostituta”, conta. Ela tem uma filha de 8 meses.
A morena de 25 anos faz programa há seis anos e é mãe de três filhos. Desempregada, ficou sabendo de um emprego em uma boate que pagava salário mensal de R$ 2 mil. Aprovada na seleção, ela começou a trabalhar quando tinha 17 anos. “No começo não sabia de quase nada, mas hoje sei tudo. Estou conversando com você de olho na rua para não perder freguês”, afirma.
Clientela é feita de casados
Segundo as prostitutas da avenida Brasil, 99% dos homens que vão em busca das garotas de programa da região são casados.
“Eles falam que a mulher está menstruada, que elas não dão bola para eles, enfim, inventam uma porção de mentiras. Eles são é sem-vergonha mesmo”, conta a prostituta de 21 anos. De acordo com ela, a maioria pechincha na hora de pagar. “A gente cobra de R$ 30 a R$ 50 e muitos reclamam. No dia que o movimento está ruim a gente faz por R$ 25”, afirma.
Ela também conta que os freqüentadores são fiéis quando gostam do jeito das meninas. “Voltam todo o mês, na época do pagamento, mas tem outros que já estão cansados das mais velhas e rodam até achar uma novata. Por isso, ganha dinheiro quem tem menos de 30”, finaliza.