Jornal A CIDADE

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Vicente Golfeto

Segunda-Feira, 9 de Junho 2008 - 23h41

Verdadeiro saber


Aristóteles dizia que “saber verdadeiramente é saber pelas causas”. Alguns séculos depois, Santo Agostinho nos ensinava que “a missão do professor é apenas e tão somente despertar as virtualidade do educando”. Em função destes dois pensamentos, chegou-se a montar a máquina de ensino de alguns países. O aluno – palavra que quer dizer sem brilho, alumno, sem luminosidade, que ele deverá ganhar na escola, estudando – aprende, também, fazer analogias, comparações. Lembro-me de uma, numa aula de Filosofia do velho Ginásio do Estado da rua Prudente de Morais, em Ribeirão Preto, também conhecido como “Otoniel Mota”. Ela trazia um paralelo entre filosofia, considerada a mãe da física – que era analisada também como a mãe da matemática – com a ciência da necessidade, a economia. Na filosofia estuda-se ética. Na economia, qualidade. E aí vinha a analogia: a ética está para a filosofia da mesma maneira que a qualidade está para a economia. Ou, em outras palavras: a ética é a qualidade da filosofia da mesma maneira que a qualidade é a ética da economia.
Ficava provado mais um brocardo de Santo Agostinho segundo o qual “educar é ensinar a pensar”. O aluno pensava. Ele era induzido.
E a coisa ia. Como se faz ética? Ou, em outras palavras, com que matéria-prima se faz ética? Resposta: respeito. Como se pode definir qualidade, que se faz com quantidade? Afinal, para se fazer bem é preciso fazer muitas vezes. Qualidade seria a arte de produzir coisas comuns, mas de maneira incomum.
A educação do intelecto é importante. Mas é importante também a educação dos sentidos. Como propunha Charles Chaplin quando afirmava que “pensamos muito mas sentimos pouco”.
O sentidos eram menos educados do que o intelecto. Mas atualmente devem ter preferência. Afinal, a inteligência é ou não é apenas é tão somente uma espécie de paladar que nos dá a capacidade de saborear idéias?

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