Jornal A CIDADE

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Júlio Chiavenato

Segunda-Feira, 9 de Junho 2008 - 23h41

Só falta


Só falta os vereadores pedirem aplausos para o sacrifício que talvez façam hoje: votar o projeto de Fátima Rosa que elimina a incorporação aos seus salários dos extras recebidos pelos deputados. A lei municipal 11.600, de 2.000, garante aos nossos edis receberem, mesmo sem trabalho, tudo o que os deputados estaduais ganham, inclusive jetons.
Essa imoralidade “caiu” na Justiça. A Câmara Municipal de Ribeirão Preto foi condenada e notificada a acabar com a mordomia. No entanto, como guardiã dos bons costumes, a vereadora Fátima Rosa apresenta um projeto “reparador” que pode ser votado hoje. Por que ela não se insurgiu antes? Por que esperou oito anos para se convencer da inconstitucionalidade da gorjeta que os nobres edis aceitaram sem pestanejar e só recusam agora, depois que a Justiça os condena? Por que apenas agora, sem mea culpa nem ato de contrição, a Câmara promete corrigir a imoralidade?
Simples: porque os “inimigos” souberam da farra e fizeram um barulho que acordou o eleitorado. Agora, perde-se uns trocados e tenta-se o lucro político: em substituição à grana que os chatos lhes obrigam a renunciar, os vereadores buscam o respeito dos trouxas que enxergarão nessa firula legal demagógica um traço de honestidade.
Assim, esperam escapar fagueiros e afagados pelos puxa-sacos de plantão. Que os há, e sobram e sobejam, desde os que pegam as migalhas que caem da mesa do poder aos deslumbrados com a proximidade de “gente importante”.
Esse tardio ataque de moralidade soa como as desculpas do adulto que agride uma criança. Sim, agrediu a criança, mas não pediu desculpas? Então, elogios para ele. É o que a Câmara Municipal quer e a vereadora Fátima Rosa se encarrega de fazer.

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