Opinião
Segunda-Feira, 9 de Junho 2008 - 23h42 O megaengavetamento de ontem em Ribeirão Preto é mais um sintoma de que estamos cada vez mais à mercê do efeito-carro. A máquina que nos deu uma fantástica liberdade de locomoção rápida, nos tira, com o uso indiscriminado e individualista dos veículos, a capacidade de andar.
O paradoxo fica mais visível quando se percebe como as cidades - não só Ribeirão Preto - estão saturadas. E além do limite do que se pode considerar plausível.
Quem acha que só o exemplo de Ribeirão Preto não convence, pode testar a situação dramática de quem vive em São Paulo ou se arrisca a chegar lá, de carro.
Congestionamentos na entrada e na saída da capital paulista hoje são regra - e não exceção. Ficam todos reféns do trânsito que não avança, não recua. Quando se marca um encontro em São Paulo é preciso frisar: “vamos chegar, mas depois do engarrafamento”. De quanto tempo, ninguém sabe. É o imponderável que determina. Um acidente e pronto: São Paulo, a cidade que não pode parar, pára.
Além de atrasos, prejuízos com o consumo muito maior de combustível, a perda de negócios, o mais dramático é a perda da qualidade de vida, com o esgotamento emocional de quem se submete a um ritmo tão estressante.
No caso de Ribeirão Preto, antes que seja tarde, é preciso rever conceitos de transporte coletivo e buscar soluções estratégicas para superar nossas limitações de locomoção.
Carro é fundamental, que ninguém diga o contrário. Mas fundamental, também, é mudar de mentalidade e conquistar a segurança e o direito inalienável de ir e vir, sem acidentes.