Boa Forma
Quarta-Feira, 11 de Junho 2008 - 22h56
ROCK NACIONAL O som de Giselle
Paralamas do Sucesso, Titãs, Jota Quest, Barão Vermelho e muito do que foi produzido nos emblemáticos anos 80. É, basicamente, o pop rock nacional e internacional que dita o ritmo das passadas da empresária Giselle Garcia Lustosa. Gisele vai diariamente ao Parque Curupira onde pratica 1 hora de caminhada e corrida, com a condição de ter a música como seu principal ‘combustível’.
A empresária costuma manter uma seleção de músicas apropriadas para os exercícios físicos diários. O “DJ”, que escolhe a seleção, é seu próprio filho, que também usa as músicas para malhar. Ela conta que adequa o estilo conforme o exercício. Para as corridas e caminhadas, músicas mais agitadas. Para o alongamento no final, Gisele aprecia um som mais calmo, mais relaxante. Algo como as baladas do inglês Robbie Williams e as românticas clássicas de Roberto Carlos.
A empresária, que é proprietária de uma rede de loja de CDs, afirma que chega a conhecer novos trabalhos, enquanto ouve música e faz os exercícios. Em alguns casos, fica curiosa para saber de quem é o novo trabalho.
Para Gisele a música é fundamental na hora dos exercícios. Tão fundamental que ela é capaz de abrir mão das atividades, feitas há dois anos diariamente, quando não tem música para acompanhá-las.
Ela disse, por exemplo, que na última terça, ao chegar ao Parque Curupira e perceber que a bateria de seu aparelho de música estava descarregada, fez questão de voltar para casa para apanhar outro. Mas, quando chegou o filho já havia saído com o outro aparelho. Sem música, Gisele decidiu desistir da malhação.
- Não consegui vir. Música é fundamental, disse a empresária.
Companhia do MP3
O bancário Luiz Carvalho, que costuma caminhar três vezes por semana, disse que não se importa de fazer exercícios sem música, mas em quase um ano e meio de exercícios, não deixou um dia sequer de levar seu MP3 como companhia.
Luiz não tem uma seleção especial para suas atividades físicas, mas costuma ouvir duas rádios com programação focada em músicas lentas, incluíndo flashback e MPB, entre outros estilos. Luiz conta que apenas caminha e que, por isso, prefere músicas de melodia mais calma. Entre as faixas preferidas muitos trabalhos de Simon and Garfunkel, Beatles e Frank Sinatra.
A coordenadora do curso de música da Unaerp (Universidade de Ribeirão Preto), Érika Andrade Silva, afirma que a música é importante para os exercícios porque mexe profundamente com o lado físico e emocional das pessoas.
De acordo com ela, existe uma relação direta entre a pulsação da música, as chamadas BPMs (Batidas por Minuto), com os batimentos cardíacos. A pulsação mais rápida acelera os batimentos cardíacos e a mais lenta diminui o ritmo dos batimentos cardíacos.
- A pulsação da música é a grande sacada porque pode ser uma grande aliada dos exercícios físicos quando usada de forma correta, disse Érika.
Função terapêutica
Mas, a música também mexe muito com o lado emocional. Érika afirma que a música acessa conteúdos de memória, traz imagens e é capaz de ativar lembranças muito significativas. Tudo isso mexe com o ambiente criativo do cérebro e ativa conteúdos do inconsciente. A música durante a atividade física pode ter função terapêutica semelhante à desenvolvida pela musicoterapia.
A coordenadora também diz que existe comprovação científica de que a música ativa áreas cerebrais responsáveis pela lingüística e pelo raciocínio lógico.
- Sem dúvida, a música pode ser um algo a mais para quem quer atingir um objetivo, disse Érika.
Cuidados com a concentração
O personal trainner de corrida Evandro de Lazari diz que ouvir música é interessante para quem não vai competir. Segundo ele, em muitas provas de corrida de rua, os aparelhos de música têm sido proibidos e o desempenho pode ser prejudicado porque os atletas estranham quando precisam correr sem música. Além disso, na sua avaliação, a música prejudica a concentração dos atletas, que participam de disputas e precisam focar sua atenção no próprio desempenho físico.
Já para quem corre por saúde e bem-estar, a música vem como fator de influência forte sobre o ritmo. Entretanto, ele faz uma ressalva sobre os cuidados para quem pratica caminhada e corrida nas ruas. É que os aparelhos de música podem prejudicar a atenção com o trânsito.
CADA UM TEM UM GOSTO NA HORA DE MALHAR O CORPO
Ritmo rápido para exercícios mais velozes e ritmo lento para atividades menos aceleradas. A regra é geral e deve ser seguida, já o repertório é algo muito pessoal e que pode até afugentar os esportistas quando não agrada.
Segundo Érika Andrade da Silva, é preciso muito cuidado na hora de escolher a música. Na sua opinião, o maior problema ocorre nas academias, quando a música em um ambiente coletivo passa a incomodar e até a espantar alguns alunos. Ela afirma acreditar que o ideal seria que os alunos de educação física tivessem aulas de formação musical básica na faculdade para não cometerem gafes.
A coordenadora, que já chegou a deixar uma academia por causa da música, disse que é comum encontrar inclusive seleções musicais incompatíveis com o ritmo dos exercícios dos alunos. Ela aponta como solução ainda a busca por aulas em academias menores ou com personal trainner, que permitem atendimento mais personalizado.
Ela também afirma que é inviável dizer qual estilo musical é adequado para cada atividade.
- Para fazer yoga ou outras atividades que exigem relaxamento, por exemplo, é interessante ouvir músicas sem marcação, como os mantras indianos. Mas, algumas pessoas podem se irritar com os mantras e, certamente, não irão conseguir relaxar. O gosto é fundamental na escolha do repertório, disse Érika.