Júlio Chiavenato
Quarta-Feira, 11 de Junho 2008 - 23h35 Alegando “vício de origem insanável” o jurista Cícero Gomes da Silva, mantido eternamente na Câmara Municipal pelo corporativismo eleitoral, decidiu com seus colegas da Comissão de Justiça que ganhar sem trabalhar é um direito legal dos nossos nobres edis. Assim, os vereadores de Ribeirão Preto, sem mover um dedo, receberão até os extras e jetons pagos aos deputados estaduais. Uma ninharia de uns 13, 14 mil reais por mês.
No mesmo dia 10, terça-feira, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) decidiu que os réus em processos criminais e ação de improbidade administrativa (que respondem na Justiça desde assassinato a corrupção política) podem se candidatar nas próximas eleições. Abriu-se a temporada para assassinos e ladrões buscarem as imunidades parlamentares.
Está na hora de alguém desconfiar: o Brasil não deu certo. Enquanto isso os cientistas políticos gastam conceitos superados, academicamente cegos para o que todos enxergam e vêem: estamos nas mãos de quadrilhas cuja arma é a lei. O sistema legal e a Constituição favorecem larápios e malandros de toda espécie.
Em nome da democracia os corruptos chantageiam a nação e quando são denunciados escapam ilesos, protegidos por uma teia legal que sequer os juristas de verdade, e não os de arremedo como o eterno Cícero Gomes da Silva, conseguem desvendar. Os que reagem contra a imoralidade vestida de legalidade, correm o risco de, eles sim, serem condenados.
Pois nunca se consegue provar nada nesse país onde políticos corruptos fazem as leis que os julgam e réus confessos obtêm proteção legal para esconderem seus crimes. E por isso podem, mesmo condenados pela Justiça, apresentarem-se como impolutos. E ai de quem disser a verdade.