Jornal A CIDADE

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Vicente Golfeto

Quinta-Feira, 12 de Junho 2008 - 23h18

Nova era


Como profissionais liberais, empresas fabulosas e mesmo países que comandam impérios perdem liderança? Ou melhor: qual o motivo? A resposta é simples: porque não conseguem criar o futuro.
No princípio do século 17, Portugal e Espanha – países da Península Ibérica – eram potências. A Espanha de Felipe II, por exemplo, tinha império tão vasto que – dizia-se – não conhecida o pôr-do-sol. Numa palavra: o império espanhol de Felipe II era, em território, maior do que foi o império romano. A Inglaterra não era potência, porque não estava na rota do comércio de especiarias nem possuía colônias nas quais pudesse produzir açúcar – a commodity mais valorizada da época – ou extrair ouro e prata. Eram essas as fontes de geração de riqueza daquele tempo.
Pois bem, pouco mais de duzentos anos e a situação se inverte diametralmente. A Inglaterra passa a ser potência, liderando um império que tinha as treze colônias que, depois, constituíram os Estados Unidos. Espanha e Portugal, gradativamente, vão se constituindo em países símbolos do atraso econômico e político.
As explicações são muitas. O protestantismo – anglicanismo, nome especial do cristianismo inaugurado por Henrique VIII – do lado inglês, abrindo caminho para o capitalismo de mercado e o catolicismo hierárquico – do lado espanhol e português – mantendo as instituições arcaicas do patrimonialismo, explicariam esta mudança de rota. Mas há os que olham o fato de a Inglaterra ter carvão, gerando condições para produzir a Revolução Industrial de 1680, o que não era encontrado na península Ibérica.
De qualquer forma, vivemos época mais ou menos de transição. Caiu o império soviético. O espaço deixado pela Rússia e os países que formavam a URSS, ao que tudo indica, será ocupado principalmente pelo binômio Índia e China. E com um potencial de consumidores que se impõe. Vivemos o ano 1 de uma nova era.

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