Júlio Chiavenato
Quinta-Feira, 12 de Junho 2008 - 23h19 Os quase 14 mil reais que cada vereador de Ribeirão Preto pode receber sem trabalhar, como “extensão” dos jetons dos deputados estaduais, daria para pagar os salários de pelo menos 10 professores da rede pública. O total que pode ser pago como extra aos 20 vereadores equivale aos salários de 200 professores. Repetindo: um vereador, sem trabalhar, pode receber de “extras” o equivalente aos salários de 10 professores de tempo integral, que se arriscam a apanhar dos alunos nos bairros periféricos.
Façam a mesma relação com os profissionais da Saúde e o resultado será parecido. O Brasil aceita a estupidez mais estúpida. Enquanto afundamo-nos na ignorância, condenando o futuro a ser mais medíocre do que o presente, por falta de educação e saúde pública entre outras mazelas, uma casta de pouco mais de uma dezena de pessoas suga o dinheiro do povo em proveito próprio.
Talvez tenham o desplante de dizer que, dos 20 vereadores de Ribeirão Preto, nem todos querem embolsar a gorjeta. Como se matar com um tiro fosse menos criminoso do que matar com seis. A questão não é quantitativa, é de qualidade, de decência, da raiz de uma sem-vergonhice política tão corriqueira que pouco escandaliza os brasileiros.
O fato é mais revoltante porque nada há a fazer. Somente eles poderão corrigir a imoralidade. São eles que fazem as leis que os favorecem, e negam sua correção mesmo quando tais leis são notoriamente inconstitucionais e imorais. Alguns ainda podem, como farsantes incorrigíveis, dizer que as críticas ao Legislativo enfraquecem a democracia. Fingem desconhecer que não são republicanos nem democratas, mas exploradores do povo.
Esses políticos temperam o caldo de cultura do autoritarismo.