Vicente Golfeto
Sexta-Feira, 13 de Junho 2008 - 23h56 Pode-se tentar definir o nível de civilização de um povo pela culinária que, ao longo dos séculos, este povo conseguiu produzir. Dentro desta linha de raciocínio, vale ressaltar a importância, por exemplo, do povo árabe, conhecido pela inteligência de sua gente e sua incomparável hospitalidade. Além, claro, de sua singular cozinha.
Provérbio árabe nos ensina que: “eu o recebo de acordo com a sua aparência mas me despeço de você de acordo com seu conteúdo”. Em outras palavras: a aparência importa. E importa tanto quanto a embalagem no momento da aquisição de uma mercadoria. Mas, um povo perscrutador como o árabe, fino em termos de observação, vai a fundo. E faz a despedida de acordo com o conteúdo do interlocutor. Pode-se entender conteúdo como o desenvolvimento espiritual, o nível de inteligência, o caráter demonstrado e – por que não dizer? – o bom gosto manifestado na conversa.
As vitrines bem feitas, cuidadosamente trabalhadas, apresentam o produto. Elas fazem o produto – quando se trata de comércio varejista – chegar aos olhos do consumidor. Compra-se muito com os olhos. Mas, a análise de seu conteúdo, a observação do detalhe do produto é que, em muitos casos, faz o consumidor tomar a decisão final de compra ou de rejeição de compra. No final, como fundamental peça de marketing, importa considerar a embalagem.
Provérbios são a sabedoria do gênero humano. Eles podem ter conhecimento condensado de tal maneira que, mesmo sendo aplicado numa área da vida das pessoas ou do saber do ser humano, podem ser estendido a outras.
Uma coisa é ver o produto. Outra é testá-lo. Uma coisa é a aparência de uma pessoa – que sempre conta, não podemos nos esquecer – mas outra é o conceito definitivo que é formado depois de um contacto mais amplo. E sempre no momento da despedida, que pode ser de tal maneira efusiva que, não raro, embute um convite de retorno, de volta.