Jornal A CIDADE

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Júlio Chiavenato

Sexta-Feira, 13 de Junho 2008 - 23h57

Os novos gurus


Acho que já perguntaram a todo jornalista como é escrever todo dia. Respondo por mim: não é fácil nem difícil. Apenas uma lição de humildade. Logo se percebe as nossas limitações. Além das limitações, as deficiências. Depois, às limitações e deficiências soma-se a falta de ferramentas analíticas para entender o que nos rodeia. Se a humildade não prevalecer, a arrogância nos dá uma rasteira.
Jornalismo é a “ciência” da inexatidão. Quanto mais peremptório (peremptório no sentido de terminante, definitivo, como dizem os dicionários) maior o sucesso. Trabalhando com o dia-a-dia, que ainda não foi decantado e analisado metodologicamente, quem emite opiniões “definitivas” obtém sucesso imediato. Que no futuro expõe ao ridículo estes donos da verdade. No Brasil o risco é mínimo: poucos têm memória crítica.
Mas como o sucesso no jornalismo quase sempre vem do que é peremptório, sofre de perempção: deixa de valer, não é como se pensava; o que se escreve hoje pode estar perempto amanhã. Essa anunciada caduquice do jornalismo atenua erros e maldades. Verdades e mentiras caem na conta do imediatismo, do escrever ao “calor da hora”, pois há uma cumplicidade tácita entre os leitores mais conscientes e os escrevinhadores: vale tudo, porque tudo muda.
O pior do jornalismo porém, é quando o jornalista se torna “escritor”. Como o animal tem prática e “escreve bem”, o que na verdade é um facilitário para a ilegibilidade geral, o jornalista é “eleito” como o profissional claro e objetivo para explicar o que os sábios e eruditos tornam difícil com seu jargão específico. Assim, as bestas que não escrevem bem, mas “escrevem fácil” para a compreensão média, tornam-se gurus da mediocridade. Amém!

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