Bom Amigo
Sabado, 14 de Junho 2008 - 18h59
HELOÍSA E BARNEY JOSÉ Morando há três semanas em um apartamento, cão já está se acostumando
Morar em apartamento não significa, necessariamente, ter que abrir mão dos animais de estimação. Seguindo uma série de cuidados, é possível morar em prédio com um animal, sem prejudicá-lo e sem incomodar a vizinhança.
Segundo Wagner Luis Ferreira, que é professor de Medicina Veterinária da Unesp de Araçatuba, a posse de animais em apartamentos é sempre um assunto controvertido perante a legislação porque ao mesmo tempo que as pessoas têm o direito de ter um animal de estimação, os vizinhos têm o direito de não serem incomodados. O primeiro passo é sempre se informar sobre quais são as regras para os moradores, com base no estatuto dos moradores.
Ele afirma que, a partir disso, é possível ter sim um animal em apartamento, desde que se tome uma série de cuidados. O morador deve observar o espaço físico do imóvel, o tempo que tem disponível para cuidar do animal, as condições financeiras para custear cuidados e acompanhamento veterinário e ainda conhecer os hábitos do animal antes de tomar uma decisão.
Ferreira afirma que em geral animais pequenos e mais tranqüilos são os mais adequados para quem mora em edifício. Segundo ele, existe mesmo uma tendência de verticalização nas grandes cidades e da busca por animais pequenos para viverem em apartamentos. Pássaros, roedores (como os hamster) e peixes, por exemplo, exigem atenção minuciosa com a higienização e o uso de um alojamento apropriado.
Já os gatos precisam de água potável e também de caixas de areia muito bem higienizadas para suas excreções. Os gatos podem até desenvolver disfunções orgânicas quando não encontram a caixa bem higienizada.
Cachorro
Os cães também são animais que podem viver em apartamentos, mas são os que precisam de uma análise mais criteriosa. O professor recomenda, para quem vai comprar um animal, que levante informações sobre o perfil de cada raça, sobre o grau de atividade, os hábitos e o latido. Os médicos veterinários e adestradores são os profissionais que podem prestar estas informações de forma mais eficiente e segura.
As particularidades, como o latido e o grau de atividade, variam de cachorro para cachorro, mas existem dados que possibilitam traçar o perfil médio de cada raça. O lhasa apso, o yorkshire, o shih-tzu, o poodle e o maltês são exemplos de raças com baixo grau de atividade e bom índice de adestrabilidade.
O professor afirma, no entanto, que não existe animal perfeito para apartamento. Muitas vezes, os animais têm uma característica propícia para viver em pequenos espaços, mas deixa a desejar com relação a outra. O yorkshire, por exemplo, é um cão com baixo grau de atividade, mas que costuma latir bastante.
Ferreira afirma ainda que a disponibilidade do dono para levar o cão para passear também é importante porque no apartamento, a tendência é de que o animal fique mais estressado.
Também é fundamental que o dono tenha condições financeiras de arcar com os gastos com o acompanhamento veterinário, que exige cuidado redobrado no apartamento.
Ele afirma que é possível ter cachorros grandes também, o que é um pouco mais complicado porque quanto maior o animal maior o espaço que ele exige.
CÃO Maltês passeia duas vezes por dia
Desde que tem o maltês Barney José, há seis anos, a jornalista Heloisa Moraes viveu apenas seis meses em casa. Heloisa queria um cachorro pequeno para lhe fazer companhia em um apartamento durante um período em que morou em São Carlos.
Neste tempo, Heloisa sempre fez questão de escolher prédios onde fosse permitido ter animais de estimação e priorizou buscar imóveis com sacada ou que fossem no térreo, com uma área externa.
Para não estressar o cachorro, a jornalista procura brincar com ele e levá-lo para passear pelo menos duas vezes ao dia.
- Tem dois dias da semana em que chego à meia-noite e, mesmo assim, só troco o sapatos e vou passear com ele. Eles [os cães] precisam disso, de entrar em contato com o meio ambiente, de ver e sentir o cheiro de outros cachorros, disse Heloisa.
Ela afirma que acha um pouco cruel ter um cachorro grande em apartamento porque eles precisam de mais espaço.
Heloisa conta que se mudou de uma casa para o seu atual apartamento há três semanas e afirma que nesse tempo tem monitorado Barney no seu período de adaptação. De acordo com ela, no começo ele latia um pouco, mas agora já se acalmou e parece estar se acostumando com o novo ambiente.