Especial
Sabado, 14 de Junho 2008 - 19h24
OBRA EM ABERTO Na igreja São José, frei José sente-se em casa - décadas de bons serviços
Ele conheceu todos os bispos e arcebispos de Ribeirão Preto, desde o primeiro, dom Alberto José Gonçalves, que comandou a diocese local de 1908 a 1945. Esteve com dois papas – Paulo VI e João Paulo II. Presidiu, ao longo de 61 anos de sacerdócio, milhares de celebrações. E aos 85 anos de vida, mantém-se na ativa – é padre coadjutor (auxiliar) na Igreja São José e celebra missas praticamente todos os dias, de preferência, às 7h00 da manhã.
Frei José Pinto Ribeiro é um patrimônio da Igreja Católica de Ribeirão Preto, que este mês comemorou o primeiro centenário da instalação da diocese.
Nascido em Guaxupé (MG), em 23 de outubro de 1922, frei José desde pequeno manifestou a vocação para o sacerdócio. Fez seus primeiros estudos no seminário que existia na Igreja São José, a mais antiga de Ribeirão Preto (inaugurada em 1903). “Naquele tempo chamava escolinha apostólica”, relembra.
Cursou o seminário maior em Franca e em 31 de agosto de 1947, na Catedral de Ribeirão Preto, foi ordenado padre por dom Manuel da Silveira D’Elboux, segundo bispo de Ribeirão Preto (1946-1950).
Nas décadas seguintes, dividiu seu tempo entre Ribeirão Preto e Franca. Foi professor de latim e história; vigário e pároco nas Paróquias de Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora das Graças e Nossa Senhora Aparecida, em Franca; Prior do Seminário Nossa Senhora Aparecida (Franca); Prior Provincial na Província Santa Rita de Cássia, da Ordem dos Agostianos Recoletos (Ribeirão Preto), entre vários outros. Nesse posto, viajou por países como Portugal, Itália e Colômbia.
Aos 85 anos, mesmo sem compromissos formais, continua exercendo o sacerdócio e atende a chamados de fiéis quase que diariamente. Preside missas de Sétimo dia, comparece a residências para ministrar a benção dos enfermos, ouve confissões, enfim, mantém uma rotina surpreendente para um octagenário.
“A única coisa que não gosto muito de fazer é casamentos. Hoje tem muita parafernália e pouca certeza de que o casal vá permanecer unido”, comenta.
Frei lançou Sementes ao vento
Frei José recorda com especial carinho de dom Manuel D’Elboux, que o ordenou, e de dom Bernardo José Miele, quarto arcebispo de Ribeirão (1972/81), “era muito camarada, tínhamos uma amizade muita próxima”.
O atual arcebispo, dom Joviano de Lima Júnior, conhece desde os anos 70, quando atuaram juntos na Conferência de Religiosos do Brasil (CRB). “Faz tanto tempo, ele era cabeludo”, brinca frei José.
Colaborador freqüente dos jornais “A Cidade”, de Ribeirão Preto, e “Comércio da Franca”, frei José é um dos autores com obras à venda na Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto. No ano passado, lançou “Sementes ao Vento”, reunindo artigos publicados nos dois periódicos.
Na igreja São José, na rua São José, palco da posse do primeiro bispo de Ribeirão Preto, há exatos cem anos, frei José diz que não pensa em aposentadoria. “Sou um macróbio em bom estado”, brinca.