Vicente Golfeto
Sabado, 14 de Junho 2008 - 19h40 Preço e valor sempre foram sinônimos. Mas, na verdade, são quase antônimos. O valor é do território da Axiologia, parte da Filosofia. Já o preço é estudado no âmbito da economia, ciência da escassez, das necessidades. Enquanto isso, a Deontologia é do Direito. Mas não é dela que vamos tratar.
As fronteiras que separam as áreas do conhecimento humano muitas vezes são borradas. Fiquemos, para efeito de análise, entre economia e política. Economia é a área do conhecimento humano em que os valores têm preço. Sabe-se o preço de um litro de leite, do feitio de um terno de roupa, da anuidade de um curso, de uma lata de massa de tomate. Já política é a área do conhecimento humano em que os valores não têm preço. Quando estes valores – voto, sanção de lei, licitação para seleção de empresa – têm preço, nasce a corrupção.
Esta mistura tem-se acentuado. Afinal, corrupção é o uso de um bem público para obtenção de beneficios privados.
Os Estados Unidos instauraram uma democracia de negócios. Eles costumam definir seus inimigos valendo-se apenas do ponto de vista ideológico. São inimigos dos Estados Unidos – comunistas, islâmicos, traficantes – todos aqueles que rejeitam o estilo de vida americano. E aqueles que se opõem à exportação dos ideais de sua revolução.
Às vezes, os mais sensíveis se chocam com a evolução dos conceitos. Um deles, por exemplo, o de que livro é um produto comercial, causa perplexidade. Outro, o de que os partidos políticos são balcões de negócios, também choca.
A realidade é que se instaurou o domínio dos negócios. O pragmatismo do mercado transforma política, casamento, sexo, livro, obra de arte, tudo o que tem valor, em preço.
Para o consumidor, no momento da decisão de compra, o preço tem muito valor.
Para o agente da política – eleitor, candidato – o valor passou a ter preço. E este fato contaminou a todos. Vivemos o império dos negócios.