Vicente Golfeto
Terça-Feira, 17 de Junho 2008 - 1h6 É verdade: tudo o que choca conscientiza. Mas o preço da conscientização é alto. E fere exatamente os mais sensíveis. Leonardo da Vinci viu aí uma das fontes do sofrimento, quando diz que “quanto maior a sensibilidade, maior o martírio”.
Não se pode dizer que só os sensíveis se conscientizam mas eles se conscientizam muito mais rapidamente.
Percebi que muitos têm ficado chocados com o avanço da violência nas escolas, sobretudo naquelas que são freqüentadas por adolescentes, jovens que se situam na faixa etária de 11 a 20 anos. Jovens sempre tiveram maior propensão ao uso da força. A arte registra o fato, depois utilizado como verdade histórica. James Dean, no cinema, foi o símbolo de uma época marcada pela existência de uma juventude transviada. Antes, na Paris dos anos loucos – anos vintes do século vinte – já se notara a violência da juventude e da adolescência como que esbanjando uma energia que, bem utilizada, em muito contribuiria para um maior desenvolvimento do mundo e das próprias pessoas.
O tempo muda sim o olhar que fazemos do passado. No pós guerra, mais especificamente no início dos anos cinqüenta do século passado, período em que comecei a estudar nos velhos grupos escolares, a educação recebida em casa – mesmo dos meninos mais humildes e até principalmente destes – impedia um enfrentamento com a professora. Hoje é a professorinha de Ataulfo Alves, que nos mata de saudade. Com uma régua muito grande, nos ameaçava em momentos de indisciplina. E ai do aluno que se queixasse em casa, para os pais. Levaria uma surra inesquecível. Porque, no meu tempo de criança, a professora sempre tinha razão. E nós, as crianças, nunca. Mas são outros tempos. Tempos que não voltam mais. Os educadores, os psicólogos – muito deles – têm outra orientação para o processo pedagógico dos dias atuais. Mesmo com a violência que vemos, sobretudo de alunos contra professores.