Jornal A CIDADE

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Júlio Chiavenato

Terça-Feira, 17 de Junho 2008 - 1h6

Novos tempos


Em 1950, apesar da precariedade dos dados, era possível prever como seria o Brasil nos próximos anos. Mas em 1964, o golpe militar baralhou os dados: a brutalidade institucional impedia previsões do futuro. Foi preciso, antes, resolver o impasse político, criar novas instituições, autoritárias ou democráticas, para basear as hipóteses de planejamento.
Em seqüência aos militares vieram Tancredo, Sarney, Collor. O Brasil recomeçou de fato nos péssimos governos de Fernando Henrique, depois da breve introdução de Itamar Franco. E desaguamos no petismo oportunista, substituindo idéias, ideais e propostas históricas pelo pragmatismo do poder. Tal retrocesso deu-se dentro de uma nova realidade mundial que afeta e corrói as bases culturais brasileiras, com o Estado contribuindo para corromper a Nação.
Tudo é rápido demais. Há quarenta anos começamos a deseducar os jovens, vítimas da decadência educacional no período militar. Hoje nem deseducamos, pois já não existe um sistema educacional. Historicamente os jovens eram educados na família, na escola e pela sociedade. Hoje não há mais esse tipo de formação. Perdemos o controle sobre os jovens.
Quem os “educa” é o consumo. Por exemplo, um jovem (e outros, nem tanto) com o som do carro estourando, não é mal educado. Pelo contrário, é o tipo muito bem educado pelo sistema: a propaganda ensinou-o que ter um “som” potente é demonstração de poder e felicidade. E incita-o para demonstrar sem inibição que a felicidade se compra.
Da mesma forma como se é mal educado sem inibição, é possível ignorar os valores éticos e culturais para “ganhar” algum prazer. Já não existem pessoas sem educação: todos são “educados” pela voracidade consumista.

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