Rodas e Cia
Terça-Feira, 17 de Junho 2008 - 22h40
ROBÔ O belo câmbio do Bentley Arnage
Brasileiro sempre gostou de cambiar, de mudar marcha. Mas, nos últimos anos, vem crescendo a demanda por carros com câmbio automático. Com o trânsito cada vez mais lento, nada melhor do que um robô trabalhar por você.
Já temos no mercado brasileiro mais de 70 opções de carros com esse tipo de transmissão. As versões com câmbio automático custam em média 7% mais do que as com embreagem.
Marcos Ricci Tabajara, gerente de vendas da Ribrauto, confirma a tendência também em Ribeirão. “Neste começo de ano, percebemos um aumento de 40% na procura por Vectra, Zafira e Astra automáticos e Meriva automatizado”.
O Fiat Stilo bateu forte em cima da propaganda de seu câmbio automatizado. Segundo Carlos Alberto Pinheiro, gerente da Lance Fiat, os clientes pagam R$ 2.500 a mais para ter um carro nessa configuração. “As vendas de Stilo automatizado representam 70%, contra 30% dos mecânicos”.
3 tipos
Hoje há três tipos de câmbios com essa tecnologia: automática, automatizada e CVT (transmissão continuamente variável, na sigla em inglês).
O câmbio automático faz a troca de marchas pela diferença na pressão do óleo, controlada eletronicamente.
Resumindo, quando se pisa no acelerador, a pressão do óleo na transmissão aumenta, e o robô troca a marcha. Neste caso, a mudança é perceptível ao motorista.
O câmbio automatizado pouco se diferencia do anterior. A diferença está na possibilidade de cambiar. Basta posicionar a alavanca na posição manual e brincar de trocar as marchas.
Mas a grande novidade é o CVT. “O funcionamento mecânico se parece com o de uma mobilete, você acelera e ela aciona polias móveis, que tracionam uma correia aumentando a velocidade, sem pedir marcha ou dar trancos”, diz o engenheiro José Eduardo Xavier, proprietário da Slick Veículos e especialista em transmissões automáticas.
O CVT usa duas polias cônicas que fazem o motor trabalhar sempre no melhor giro. “Você não sente as marchas mudarem, como no automático, pois não existem marchas nesta transmissão”, diz Xavier.
Um pouco da história
O primeiro câmbio automático foi inventado pelos irmãos Sturtevant, de Boston (EUA), em 1904. Ele fornecia duas velocidades à frente, que eram engatadas pela ação de forças centrífugas.
Usando também de forças centrífugas, um novo sistema foi desenvolvido em 1934, chamado Reo Self-Shifter. Ele conectava duas transmissões em série.
Também houve a invenção dos brasileiros Fernando Iehly de Lemos e José Braz Araripe, que foi vendida à GM, em 1932, e contribuiu para o desenvolvimento do sistema “hidramático”, lançado pela Chevrolet em 1939.
Custo de Manutenção
A manutenção preventiva de um câmbio automático não é tão cara. Pode custar de R$ 300 à
R$ 1 mil, dependendo do veículo.
O serviço inclui a troca de óleo e filtro. Ela deve ser feita a cada
15 mil ou 20 mil quilômetros, ou de acordo com as recomendações do fabricante.
O problema, segundo José Eduardo Xavier, é que muitos motoristas só procuram as oficinas quando o carro já rodou mais de 100 mil quilômetros. Se o sistema começa a estragar, os gastos podem atingir de R$ 3 mil a R$ 5 mil. Xavier diz, tendo como exemplo os carros da Mercedes, que uma nova em folha pode custar até R$ 30 mil.
Esqueça da canhota!
Se você for dirigir um carro automático pela primeira vez, uma dica: esqueça que você tem uma perna esquerda. Quem sempre cambiou, pode ter problemas; este repórter também já teve. Em um test-drive do automático, de repente, me deu uma vontade incontrolável de usar a perna esquerda, como se fosse pisar na embreagem.
O resultado? Meti o pé no freio de maneira brusca. José Eduardo Xavier conta que, em 1993, quando começou a trabalhar com esse tipo de câmbio, instalava opcionalmente um elástico no banco de seus clientes, para que o pé esquerdo ficasse preso e não acertasse o freio.
ANOTE AÍ
- Faça a manutenção preventiva a cada 15 mil quilômetros
- Evite arrancadas bruscas e super-rotação (alto giro do motor)
- Não há necessidade de deixar o carro em ponto morto (N) quando parado.
- A tradicional “banguela” pode ser usada, mas isso pode superaquecer o fluído do câmbio, diminuindo sua vida útil
- A mudança de marchas na alavanca de “D” para “3” ou “2” só é aconselhável quando se quer segurar o carro com o freio do motor.
- Não engate a ré quando o carro estiver se deslocando para frente ou vice-versa, pois isso pode destruir o câmbio.