Jornal A CIDADE

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Júlio Chiavenato

Terça-Feira, 17 de Junho 2008 - 23h38

Batotas


Na campanha eleitoral de 2004, o doutor Welson Gasparini, olhando firme para as câmeras, prometeu acabar com os problemas da Saúde Pública do município em 3 meses. Depois de 42 meses e muitas mortes nos corredores das unidades de saúde a situação está pior.
Teremos novas eleições. Novamente, não só o doutor prefeito como outros candidatos, prometerão mundos e fundos. E o pior, depois do fracasso, pegos em mentira, nem precisam escapar pela porta dos fundos. Saem fagueiros, como entraram ligeiros e sonham continuar bravateiros. Não é à toa que são batoteiros.
O que se deve fazer com político promessinha e mentiroso? A resposta óbvia é não votar neles. Porém o povo vota de novo. Ninguém aperta o nariz do pinóquio. Entre os políticos, mentira e fingimento são normais. Como a maioria tem o rabo preso, ninguém denuncia ninguém. Além dessa cumplicidade eles são protegidos pela lei: em tempos eleitorais, se a imprensa cobrar as promessas e lembrar ao eleitorado as repetidas tragédias na saúde pública, por exemplo, pode levar uma liminar pela cara e ser proibida por algum juiz de “perseguir” o pobre mentiroso ou de fazer campanha facciosa.
A mentira é livre e protegida. A verdade tem de ser contida e dita a conta-gotas. Políticos podem mentir à vontade: nunca se viu um político ser punido por mentir. Mas quem diz a verdade precisa ter cuidado, pois mentirosos não ficam corados de vergonha, mas vermelhos de raiva; e eles não têm escrúpulos.
O doutor prefeito não resolveu em 42 meses o problema que ele prometeu solucionar em 90 dias. Talvez apareça outro candidato com promessa idêntica. Ou quem sabe, ele de novo jure para as câmeras que agora a coisa vai. Para os defuntos, já foi.

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