Jornal A CIDADE

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Júlio Chiavenato

Quarta-Feira, 18 de Junho 2008 - 23h39

Californiana


Apesar de jovem, Ribeirão Preto teve uma história, cuja memória vai sendo destruída. Os marcos arquitetônicos e culturais desapareceram ou estão em franca decadência. A política murchou. No lugar das perdas colocou-se o caos.
Destruiu-se o que era bom e funcional: o Teatro Carlos Gomes, os casarões e, principalmente, a arborização urbana. Preservou-se o que deveria ser reformado: ruas estreitas e ligações estranguladas entre os bairros. O Centro da cidade comunica-se relativamente bem com os chamados bairros nobres. Mas fica “fechado” com a Vila Tibério, Vila Virgínia, Campos Elíseos, Ipiranga.
Com a destruição do que era bom e a persistência do que é ruim, a cidade conforma-se com o caos. Acredita ser moderna e progressista, sem levar em conta que além das diferenças sociais que separam a população, as barreiras urbanas reforçam o distanciamento entre as classes, perpetuando o clássico modelo de concentração de rendas no Brasil.
O Poder Público favorece a criação de fortalezas urbanas para dar segurança aos ricos, entrincheirados em vários condomínios, retrato de privilégio e discriminação social. Seria interessante verificar qual a área ocupada por estes condomínios opulentos e a proporção de investimento do Município na infra-estrutura que os tornam “padrão de luxo” e o que é investido nos bairros mais pobres, de extensões bem maiores, densamente povoados e carentes de quase tudo.
É uma cidade que se esmerou em favorecer os ricos e dar-lhes segurança, fortalecendo o modelo urbano de exclusão social. Completa 152 anos, mas parece ter 10 ou mil, pois aqui há de tudo: do faroeste à decadência. Nenhuma cidade do Brasil tem o espírito tão californiano como Ribeirão Preto.

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