Vicente Golfeto
Quinta-Feira, 19 de Junho 2008 - 23h41 Bom professor é mais ou menos como bom jornalista: é o profissional que transforma assuntos importantes em assuntos interessantes. Exatamente por isto, inocula na mente do aluno o prazer de aprender, de cogitar, de fazer analogias.
É por isto que educar é, também, ensinar a pensar. E, quando o aluno tem prazer em pensar, imediatamente é transformado em um buscador do conhecimento. Aí ninguém mais o segura.É por isto que a escola pode ser transformada num centro de irradição de idéias, inclusive aquelas que fermentam movimentos populares. Estes alimentam a atividade pública, acionada pela política.
Coco Chanel dizia que “o ato mais subversivo do mundo ainda é pensar com a própria cabeça. E em voz alta”. É um binômio: pensar com a própria cabeça e em voz alta. Importa a anotação porque há professores que são incapazes de aceitar que o aluno tenha suas próprias idéias e que, não raro, sejam inclusive opostas às dos mestres. “Infeliz do discípulo que não superar o mestre”, dizia Leonardo da Vinci. Porque os discípulos normalmente viverão – exatamente por serem mais jovens – num futuro profissional com modificações. Como até o desenvolvimento é uma fatalidade, se não superarem os mestres, serão superados pelos contemporâneos.
Outro dia anotamos uma questão, que passamos aos leitores. Qual é mais poderoso instrumento de transformação: a democracia ou a educação? Tentando esclarecer: transforma a sociedade de maneira mais célere uma democracia sem educação ou uma educação sem democracia? Podemos estar diante de uma falsa questão porque a democracia abre para a educação como a educação igualmente abre para a democracia. Mas fica a pergunta, que inicia o debate. O verbo disco, em latim, quer dizer aprender. É dele que vêm: discípulo, discente, discordar (que é uma forma de aprender), discernir, discriminar, discrepar, discursar, discorrer, disciplina.