Opinião
Quinta-Feira, 19 de Junho 2008 - 23h42 A partir de primeiro de julho o preço do pedágio tem o maior reajuste desde 2004 e sobe, em média, 11,52%.
O problema, porém, não está só no desembolso extra de quem viaja muito. Está no reflexo em cadeia que a alta sempre provoca.
O aumento afeta o custo do frete em geral, das passagens dos ônibus intermunicipais e, em particular o dos alimentos que exigem reposição diária.
Por uma questão óbvia, o repasse provoca um “efeito dominó”: acaba estourando, como sempre, no bolso do consumidor e nos custos operacionais dos empresários.
No momento em que se quer conter a inflação, é preciso extrema cautela. Os comerciantes já prevêem uma natural retração num primeiro instante: para gastar menos, o cidadão põe o pé no freio e não faz mais viagens supérfluas.
Ribeirão Preto, como cidade sede de toda uma região, pode se ressentir de uma queda no movimento, pelo menos até que se absorva o impacto do aumento.
Por sua vez, os varejistas devem evitar repasses exagerados, para não espantar, definitivamente os consumidores.
Todos querem o controle da inflação. Mas a desaceleração da economia pode ser perigosa para a estabilidade dos empregos. E para o desenvolvimento da iniciativa privada. Ninguém quer de volta a nefasta conjuntura que obrigava o assalariado a estocar produtos, como forma de poupança. Ninguém mais tem capacidade de acreditar que é possível reassumir as funções de “fiscal do Sarney”. Esse filme todo brasileiro já viu, e, com a maior das certezas, não gostaria de assistir à reprise.