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Caderno C

Sexta-Feira, 20 de Junho 2008 - 23h1

De Volta ao Futuro

Régis Martins
DIVULGAÇÃO De Volta ao Futuro LONGE DEMAIS DAS CAPITAIS Humberto Gessinger optou por voltar a morar no Sul do país

Humberto Gessinger não tem saudades dos anos 80. Apesar de ter sido a fase áurea de seu grupo Engenheiros do Hawaii, o músico acredita que é muito melhor ter uma banda nos dias atuais graças às novas tecnologias para divulgação. Gessinger vai apresentar hoje em Ribeirão Preto canções do CD gravado no final do ano passado: “Novos Horizontes” que segue os passos de seu Acústivo MTV. Confira a entrevista que ele deu por telefone de sua casa em Porto Alegre.


A Cidade – Os fãs mais antigos dizem que a melhor formação do Engenheiros do Hawaii é aquela do trio original dos anos 80. O que acha?
Humberto Gessinger – As pessoas relacionam muitos momentos bons da vida delas com o tipo de roupa, com um carro ou uma banda. Eu sou assim também. Acho que os grandes tenistas eram aqueles da minha época de garoto. É natural. Mas acho difícil analisar qual a melhor fase do grupo.

A Cidade – Qual o perfil do público da banda hoje em dia?
Gessinger – A maioria é de garotada mesmo. Desde adolescentes até jovens de 20 e poucos anos. Eu não sei se o pessoal mais antigo vai ficando mais silencioso ou vai para o fundo da platéia. Mas o que vejo hoje é uma galera que não viveu os anos 80. Engraçado porque eles têm uma imagem bem idealizada daquela época. Quem não viveu aquele tempo acaba tendo mais saudades do que quem viveu.

A Cidade – Você acredita que as coisas melhoraram?
Gessinger – Sim, muito melhor ter uma banda hoje do que antes. Um grupo hoje tem muito mais chance de chegar ao seu público sem ter uma mídia grande e isso é uma benção. Quanto a qualidade da música de hoje em dia, acho muito difícil falar porque cada geração responde ao tempo em que vive. Mas que é mais legal ter uma banda hoje, não resta a menor sombra de dúvida.

A Cidade – Você voltou a morar em Porto Alegre. Atualmente, é mais fácil viver de música fora do eixo Rio-São Paulo?
Gessinger – Sim. Hoje em dia, este lance geográfico não tem tanta importância. Claro que eu sofro um pouco principalmente por questão de logística pra shows. Mas em relação a divulgar o trabalho, não é tão importante.

A Cidade – Por que voltou para o Sul?
Gessinger – Gosto muito de morar em Porto Alegre. Então foi mais uma motivação pessoal do que artística e profissional. E mesmo quando a gente foi para o Rio de Janeiro na época, já estávamos bem estabelecidos com três CDs gravados. Na verdade, onde estivesse, eu iria compor o mesmo tipo de material. O Rio, por exemplo, não influenciou muito o meu trabalho.

A Cidade – A distância do Rio Grande do Sul foi importante até para criar uma peculariedade dos artistas locais?
Gessinger – Sim. Aqui no Sul não há muitas oportunidades de trabalho acompanhando outros artistas como no Rio ou São Paulo. Por isso a solução pra todo mundo aqui é ter um trabalho mais autoral e acho isso bem bacana.

A Cidade – O gaúcho Victor Ramil venceu como melhor cantor pelo voto popular no Prêmio Tim 2008. Você gosta do som dele?
Gessinger – Acho muito legal o trabalho dele, que é bem reflexivo, né? Mas acho muito bacana também o trabalho dos irmãos dele: o Kleiton e Kledir. Eles foram pioneiros nessa coisa de colocar elementos gaúchos num contexto pop.

A Cidade – Você vai apresentar aqui em Ribeirão um show acústico?
Gessinger – A gente gravou no final do ano passado o “Novos Horizontes” que é um CD acústico com nove músicas inéditas e nove regravações, que é a base de nosso show. Mas 1/3 do show já é plugado e com guitarras.

A Cidade – E esse lance de usar viola caipira e harmônica?
Gessinger – O disco tem essa coisa regional do interior de Minas e de São Paulo. Essa coisa de Pena Branca e Xavantinho que é uma onda que eu gosto muito. Em termos de sonoridade, acho a música de raiz brasileira muito mais rica que o country norte-americano.


SERVIÇO
Engenheiros do Hawaii
Hoje, a partir das 20h, na Sociedade Recreativa e de Esportes de Ribeirão Preto. Inf.: (16) 3610-8612

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