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Sabado, 21 de Junho 2008 - 15h7

Classe C impulsiona as vendas do mercado

Valeska Mateus
J.F.PIMENTA Classe C impulsiona as vendas do mercado MERCADO AQUECIDO O casal Joel e Augusta Batista acaba de adquirir apartamento: adeus ao aluguel

A Classe média está impulsionando as vendas no mercado imobiliário de Ribeirão Preto e se tornou o foco de atuação de algumas incorporadoras de Ribeirão e de São Paulo. Os imóveis para esse público já ultrapassam os 60% dos lançamentos na cidade. Segundo especialistas, esse classe se tornou o poder de compra do setor. Uma tendência nacional que se confirma em Ribeirão Preto.
“Hoje o número dessas unidades está acima de 60% dos lançamentos e deve crescer ainda mais. Há demanda, gente para comprar. E as pessoas dessa classe ainda estão percebendo que possuem esse potencial de compra”, afirma o diretor de imobiliária, João Paulo Fortes Guimarães.
O aumento do poder de compra, a dilatação das linhas de crédito, a queda na taxa de juros e o déficit habitacional para essa faixa da população são os fatores que justificam esse movimento, na opinião de empresários do setor.
Para Alexandre Melão, sócio-diretor da Ecoesfera, as classe C e D foram as mais beneficiadas com o aquecimento do mercado.
“Essa classe está com uma capacidade de endividamento maior, por conta das linhas de créditos dilatadas e das taxas mais acessíveis. Isso coloca o empreendedor de olha na base da pirâmide, já que aí está o maior déficit habitacional”, afirma Melão.
De acordo com ele, a classe C ficou desatendida durante o período inflacionário da economia e a retomada começou em 2006. “São dois anos desse início no processo de crescimento do setor”, analisa.
Apostando nisso a empresa lança dois empreendimentos voltados a classe C, com foco em um público com renda familiar entre R$ 3 e R$ 7 mil, ainda este ano em Ribeirão Preto. O Ecoway, na avenida Caramuru em agosto, com valor de comercialização em torno de R$ 120 mil e o EcoOne, de R$ 90 mil, que deverá ser na região da avenida Portugal.

Três empreendimentos
Com cerca de 70% dos imóveis vendidos no primeiro lançamento em Ribeirão Preto a Cytec que trabalha diretamente com a classe C, com renda familiar média de R$ 2,5 mil, lança mais três empreendimentos em 2008 no município, no total de 1200 unidades. “A classe C é a força da economia hoje e representa ascensão no Brasil. Sua capacidade de aquisição cresceu muito”, afirma o diretor regional Carlos Lacerda Chaves.
E em Ribeirão Preto os imóveis destinados a essa classe variam entre R$ 80 e R$ 140 mil. Um mercado inflacionado na opinião de alguns empresários. “Se compararmos com outras cidade do interior, a cidade tem os valores mais elevados. O valor está inflacionado em relação à classe a que se destina”, comenta o presidente da Fit Residencial Newman Brito, Para ele os motivos que justificam são o valor do terreno e a escassez de produtos para esse público. No lançamentos da empresas os imóveis giram em torno de R$ 100 a R$ 150 mil.
Segundo Fortes Guimarães, esse foco na classe média já vem sendo trabalhado nas grandes cidades e com sucesso. Agora se tornou alvo de em Ribeirão Preto e ganhou força na cidade no final do ano passado. “Desde dezembro de 2007 a imobiliária já registrou um aumento de mais de 50% nas vendas de imóveis para essa classe, de produtos entre R$ 70 e R$ 130 mil”, afirma.
De acordo com ele, as incorporadores trabalham com um valor a partir de R$ 1.850 o metro quadrado. Ele comenta que o critério adotado na construção civil hoje é uma prestação que cabe no orçamento.
“Estamos vendendo a parcela que cabe no bolso do consumidor, esta é a forma de possibilitar a esse público adquirir um imóvel”, afirma Fortes Guimarães.
Ele cita uma prestação em torno de R$ 500 para imóveis nessa faixa. “Estamos proporcionando uma prestação no valor do aluguel que a pessoa pagava, sendo que ao final o imóvel será dela”, diz.
E foi atraído pela prestação a partir de R$ 277, anunciada no folheto de divulgação e pela localização que o pintor de autos Joel Batista da Cruz decidiu ir conhecer o empreendimento Vitória Parque.
“Vi o panfleto e logo me interessei”, fala ele que mora de aluguel, nos Campos Elíseos, com a esposa e dois filhos jovens.
“Sempre sonhamos em ter um imóvel próprio em Ribeirão. Até chegamos a ter uma casa da Cohab em Sertãozinho, mas precisamos dispor do imóvel. Estávamos esperando minha aposentadoria sair, para ter uma renda a mais já que eu ia continuar trabalhando”, conta.
Apenas ele e a filha trabalham no momento e a renda familiar gira em torno de R$ 2,5 mil. “Tinha medo de assumir um compromisso com a compra. Minha esposa está radiante porque a gente conseguiu assinar o contrato esta semana”, comemora.
Até a entrega do apartamento em julho de 2009, Joel precisa desembolsar R$ 22 mil, em parcela única de R$ 5 mil e mais 13 de R$ 200. “Estamos realizando um sonho, apesar de ainda não saber o valor que ficará ao final a prestação pela projeção vai ser possível, tranquilamente pagar. O que pago hoje de aluguel vou investir lá. Só em cinco anos já foram R$ 30 mil de aluguel que foi embora pelo ralo”, comenta.
Além das famílias que estão adquirindo seu primeio imóvel, segundo Fortes Guimarães, outro perfil que entra desse mercado, é o up-grade.
“Neste caso estamos proporcionando uma entrada mais baixa antes da entrega das chaves, que chega no máximo a 20% do valor geral. Na entrega, ele vende o imóvel que já possui para quitar ou diminuir o saldo restante, na hora de assumir um financiamento”, explica.
Na comercialização do empreendimento da Fit Mirante do Sol, lançado com foco nessa classe em 2007 no Ipiranga, 60% dos clientes estão adiquirindo sua primeira moradia, cerca de 35% buscando up-grade e menos de 5% compram apenas para investimento, segundo o presidente da Fit Residencial, Newman Brito.

Incremento
Os imóveis da empresa tem valores entre R$ 90 e R$ 125 mil, voltados a um renda familar entre R$ 3 e R$ 4 mil reais.
E o resultado positivo na comercialização levou a empresa a incrementar os negócios na cidade e firmar uma parceria local com a Bild. Ainda este semestre a empresa vai lançar outro empreendimento e já projetos e novos lançamentos para 2009. “Existe potencial deste mercado na cidade. Depois da capital, RP é a segunda cidade do estado em importância de atuação para a Fit. Existe uma demanda, por isso estamos ampliando os investimentos e notamos que a exigência no padrão de qualidade é alta”, afirma Brito.

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