Classe A
Sabado, 21 de Junho 2008 - 15h25
Melhem Adas, estudioso da geografia da fome e autor de obras notáveis, publicou 34 livros em 38 anos: o primeiro foi lançado em plena ditadura, na era Médici. De um certo modo, ele também é best-seller: já chegou a vender três milhões de exemplares quando um de seus livros foi adotado em sala de aula. Mas essa não é sua maior preocupação. Aos 69 anos, continua trabalhando, escrevendo e dando aulas de reciclagem para professores em todo o país. Ele se devota a jogar luz sobre as chagas sociais que devem ser combatidas
Angelo Davanço - Professor, o senhor é de onde?
Melhem Adas - Eu nasci em São Paulo, mas ainda criança fui com a família para Cedral, na região de São José do Rio Preto. Vivi lá até os 12 anos, quando fui mandado para estudar em São Paulo. Imagine, eu saí de uma pequena cidade de seis mil habitantes para enfrentar São Paulo. Calcula, me colocaram num trem em Cedral, pegava a estrada de ferro araraquarense e tinha que descer para fazer a baldeação pela Paulista, pois as bitolas eram diferentes. Você descia do trem e esperava o outro chegar. Com 12 anos me botaram no trem e me mandaram para São Paulo. Calcula um menino de uma cidade de seis mil habitantes, chegar na São Paulo de 1951, uma cidade de três milhões e tanto de habitantes. Confesso que isso foi um impacto violento para mim, mas aí é a vida. Tem a escola da vida. Não é a vida na escola, mas a escola da vida, que é muito rica, pois exige que você tome iniciativas, que você supere obstáculos. E aí então meu tio me matriculou no Instituto de Educação Fernão Dias Paes e passei a trabalhar de office-boy. Eu vejo isso com muita saudade, não com tristeza.Vejo como um período muito rico.
Angelo - O senhor fez todos os estudos em São Paulo?
Melhem - Estudei em São Paulo. Eu comecei a dar aula apenas com 19 anos na seguinte circunstância - o meu irmão era um professor nato de matemática e ele queria abrir um cursinho. Naquela época existia a admissão ao ginásio, para se entrar na escola pública, você prestava um exame. Meu irmão abriu um cursinho, era um professor autodidata de matemática. Eu falei - Willian, eu não tenho condições. Eu tinha 18 para 19 anos. Ele retrucou - Não, me ajuda. E aí começamos. E no fim, acabou virando cachaça (risos). Eu fazia Faculdade de Economia nessa época. Deixei a faculdade no terceiro ano, por problemas de família, doença na família, e quando retornei para a faculdade fui fazer Filosofia, na cadeira de História e Geografia, para me tornar efetivamente professor.
Angelo - E como o senhor veio de São Paulo para Ribeirão Preto?
Melhem - Eu tinha prestado um concurso na Universidade de São Paulo, no departamento de Geografia, e tinha sido aprovado. Entretanto nós vivíamos naquele período o estado ditatorial, década de 70, nós vivíamos um período de decreto 477, de AI-5, então havia um ambiente universitário muito pesado, um policiamento muito grande. Eu entrei em 1976, entretanto não fiquei muito tempo, diante de uma chefia de departamento que era extremamente reacionária e que tinha inclusive comprometido junto aos órgãos de segurança da época, vários colegas professores. Era uma verdadeira caça às bruxas e eu saí. Saí e havia sido fundada a Barão de Mauá, em 69. E o doutor Spinelli, pai do Nicolau, abriu as portas da faculdade pedindo para São Paulo, por meio de Maurício Tragtemberg, que foi um expoente da intelectualidade brasileira, que arrumasse professores para ele aqui na Barão de Mauá. Viemos, se não me engano, em seis para Ribeirão Preto. Inicialmente morando em São Paulo mas trabalhando aqui, viajávamos semanalmente. Aí começou a minha afeição por Ribeirão Preto, onde a Mauá teve um período áureo, porque a administração do doutor Domingos Spinelli abriu as portas a muitos professores que tinham sido perseguidos pela ditadura militar. Um deles era Maurício Tragtemberg. Todas as universidades fechavam as portas, mas a Mauá deu acolhimento a estes professores de qualidade. Vieram dar aulas, para vocês terem idéia, Otávio Ianni, Bento Prado, falecido recentemente, veio dar aula aqui Orlando Valverde, todos que tiveram comprometimento político diante de uma universidade que reproduzia o poder. A universidade e a própria escola deste período se tornaram um aparelho ideológico do Estado. Se reproduzia na escola, em seus mais diversos níveis, as idéias do que o poder desejasse que fosse permitido, então, se torna um verdadeiro aparelho ideológico do Estado, o decreto 477, AI-5, que tornava muito difícil o trabalho na universidade, e na escola fundamental, então foi um período de grande dificuldade. É aquele período que sucedeu a reforma do ensino, em 1968, que na época se chamava primeiro e segundo grau, em 1971, que é aquela reforma que, na verdade, quis tecnificar a escola, quis adaptar a escola e a educação às necessidades do modelo político e econômico de capitalismo excludente estabelecido no país pelos militares, então esta reforma de 1971 na verdade instituiu o ensino profissionalizante sem condições da escola ter efetivamente este ensino profissionalizante. A pretexto disso, o que se fez? Se aumentou a carga horária de matemática, biologia, e as humanas se perderam. Se tirou o ensino da filosofia, da sociologia, que voltaram agora. Se reduziu a história, geografia e estudos sociais, se diminuiu a carga horária destas disciplinas. Introduziu-se Educação Moral e Cívica, OSPB, que eram na verdade disciplinas controladas pelo Estado. O próprio manual de Moral e Cívica, tinha que ter a chancela de uma comissão de Moral e Civismo de Brasília para ser adotado. Então é neste sentido que eu digo que a escola se tornou um verdadeiro aparelho ideológico do Estado.
Régis Martins - O objetivo era criar uma massa acrítica. Eles conseguiram?
Melhem - Conseguiram. Foram diferentes momentos históricos que eu vivi. Aquele período de grande democratização do Juscelino, depois vem o período de estado autoritário da ditadura, depois vem o período da reconquista da democratização, a redemocratização, então esse período de 1964 até 80, em 85 já tinham se afrouxado os laços de dominação, criou-se um hiato na politização. E hoje continua. Eu digo que hoje nós estamos vivendo um verdadeiro vácuo de utopia, um vazio de tal modo que o consumo foi eleito o sentido da vida. O mercado, a sociedade da vida. Qual o sentido da vida? É consumir a melhor grife, o melhor carro, e na verdade não se pensa no coletivo. Os exemplos estão aí. A apatia da sociedade frente aos escândalos políticos no país, a omissão da sociedade, na verdade. Até eu digo para os meus filhos, eu gosto de futebol, eu costumo dizer para eles - caramba, se a sociedade brasileira se mobilizasse como se mobiliza no que diz respeito ao futebol, para as questões políticas nacionais, nós mudaríamos este país.
Régis - O senhor que teve ligação com o partido que hoje está no governo, qual a análise que o senhor faz?
Melhem - Eu penso da seguinte forma. Existem duas militâncias no PT. Uma militância interessada em cargos e uma militância que levantava efetivamente a bandeira da construção de uma sociedade melhor. Venceu a primeira. E a segunda? A segunda se decepcionou. E eu me coloco nesta segunda. Não sou mais filiado, quando eu começo a ver o governo a fazer aquelas coligações espúrias, falei - vai dar problema. E deu problema. Foi um verdadeiro sonho, uma verdadeira utopia, que foi destruída pela prática política. Voltado a educação. Você me colocou aquela questão se hoje é mais ou menos politizado. Eu digo que hoje é menos politizado. Porque este hiato do estado autoritário foi problemático para a continuidade daquela politização, onde uma União Nacional dos Estudantes era tremendamente ativa, uma União Estadual dos Estudantes era ativa e representava uma força política, principalmente no que diz respeito ao exercício de pressão. Pressionava o estado, pressionava o governo no sentido de que ele trouxesse transparência nos seus atos e de que na verdade cumprisse os objetivos de campanha. Agora vem este hiato, onde a sociedade é silenciada, por meio de dispositivos autoritários. Nesse intervalo de tempo aquele modelo de capitalismo dependente, associado e excludente, exclui efetivamente da participação política a sociedade brasileira, excludente sob o ponto de vista econômica, porque naquele período se acentuou a concentração da renda no país, a concentração da propriedade, então foi excludente sob o ponto de vista econômico, tinhamos a possibilidade naquela época de se fazer uma reforma agrária e não foi feita, então excluiu de uma participação econômica, grande parte da sociedade, excludente sob o ponto de vista cultural e educacional, que foi a censura ao teatro, ao cinema, às manifestações artísticas e a censura na escola. E veja que curioso. Isso foi feito da seguinte forma - em 1961 foi fundado o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais, por grandes empresários do Rio e de São Paulo, que a pretexto de ser um instituto de pesquisas e estudos sociais, era na verdade um grupo de pressão para conter um eventual avanço do socialismo cubano na América Latina e portanto no Brasil. Vocês podem dizer - mas como que ele funcionava? Ele passou a publicar livros, o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais, distribuídos de norte a sul do território nacional. Livros com os seguintes títulos - ‘UNE: Instrumento de Subversão’. Outro livro que eles publicaram e distribuiram de norte a sul e vocês devem ter lido: ‘A Revolução dos Bichos’, de George Orwell, que é uma crítica contundente, aquela fazenda criada pelo autor. Eles chegavam a produzir filmes para passar nos sindicatos de trabalhadores, do tipo - olha, você é trabalhador, operário, lhe cabe executar estas tarefas e a nós cabe pensar o Brasil. E vocês sabiam que é do quadro do Instituto que sai o staf governamental do presidente Castelo Branco. É dali que sai Roberto Campos, é dali que sai o general Golberi do Couto e Silva, e dali saem outros para formar o governo militar. E quem vai fazer essa reforma de ensino que eu citei anteriormente, de 1968, a reforma do ensino superior, e de 71, da escola de primeiro e segundo graus, é o Instituto, que adapta a educação brasileira àquele modelo que eu falei, isto é, vamos tecnificar a educação, preparar mão-de-obra para atender as necessidades do desenvolvimento do capitalismo do Brasil, capitalismo marcado pela extrema dependência aos centros de decisão do mundo. Aí então aprofunda a escola diante daquele aspecto que eu citei. Não que ela não tenha sido antes, um aparelho ideológico do estado, sempre foi. A educação é elitista e permeia todo este período a chamada pedagogia liberal. Na visão da pedagogia liberal a função da escola é na verdade preparar o indivíduo para que ele no futuro exerça determinados papéis sociais segundo suas aptidões, entretanto adaptado às normas e valores vigentes na sociedade. É acrítica, o ensino acrítico, não está preocupado na formação, inclusive política do estudante. Então nós podemos dizer que é uma pedagogia do consenso - vamos ensinar de tal forma, centrado no indivíduo. Agora vem Paulo Freire e propõe a pedagogia progressista, naquele período de João Goulart, que é derrubado depois. Foi um pequeno ensaio, mas ficou, onde a pedagogia progressista difere substancialmente da pedagogia liberal, na medida em que ela vê a função da escola, a função da educação, dentro de uma perspectiva crítico-social. Enquanto a pedagogia liberal vê a função da educação, da escola, formar indivíduos, centrado no indivíduo, não em nós, no coletivo.
Angelo - O senhor tem um trabalho, baseado em Josué de Castro, que é a questão da geografia da fome, que também está relacionada a questões demográficas.
Melhem - Naquela época se pensava em resgatar a teoria do Malthus, e aplicar o neomalthusianismo, que o crescimento populacional cria obstáculos para o desenvolvimento econômico, então o que ocorreu, na verdade se viu que à medida que se desenvolvia, se crescia educacionalmente, diminuíam as taxas de natalidade, e como diminuiu. Você veja o caso do Brasil - a nossa taxa de fecundidade, que é aquela taxa calculada entre o número de mulheres em idade de procriação, que é considerada entre 15 e 49 anos e o número de crianças existentes, a nossa taxa de fecundidade era, em 1960, da ordem de 7. Hoje ela está em nível de 2. Houve um declínio significativo da fecundidade, conseqüentemente da natalidade na medida em que houve uma maior inserção da mulher no mercado de trabalho. A partir da década de 70, com a modernização da economia brasileira, o desenvolvimento da economia, ela foi inserida no mercado de trabalho e, consequentemente, diminui-se a taxa de fecundidade e também, aliado aos métodos contraceptivos. Agora, hoje, você vê que houve em Roma, coisa de 15 dias atrás, uma conferência mundial da FAO e não chegaram a nenhuma conclusão. Em 1997 foi feita a cúpula mundial sobre alimentação, promovida pela ONU, portanto pela FAO, onde calcularam que os famintos do mundo são da ordem de 815 milhões, que vivem num estado de fome, a desnutrição. E a cúpula mundial estabeleceu, em 1997, que até o ano de 2015, deveriam reduzir estes 815 milhões para 400 milhões. Então chegariamos em 2015 com 400 milhões de famintos. Que para tanto haveria a necessidade de investir, anualmente, para isso, cerca de 20 bilhões de dólares, para se chegar lá nas metas do milênio traçadas, para depois aniquilar dentro de mais 15 anos. Conclusão, em 2002, na cúpula sobre alimentação, cinco anos depois de 97, viram que não tinham conseguido baixar 20 milhões por ano, apenas seis milhões, porque muitos estados que se comprometeram não soltaram o dinheiro para os projetos de agricultura na África, na Ásia. E foi um fracasso total, está muito aquém. Enquanto que recentemente foi publicado o orçamento militar do mundo, que já ultrapassou um trilhão de dólares. Onde os Estados Unidos, desse orçamento militar, ele participa com 45%. É a guerra do Iraque, que por sua vez alimenta a indústria bélica norte-americana. É uma guerra conveniente para a indústria bélica norte-americana.
Angelo - Há uma discusão sobre o mercado internacional transformar alimento em energia.
Melhem - No meu ponto de vista, não significa que eu esteja certo, talvez me faltem dados ainda mais precisos, mas o que agrava mais são os subsídios da União Européia e dos Estados Unidos aos seus agricultores. Estes subsídios, que protegem o agricultor europeu e norte-americano, fazem com que, vou te dar um exemplo - o tomate produzido lá na França, na Itália, como é subsidiado e existe uma super-produção, eles passam a exportar a um preço baixo, e acaba destruindo a agricultura de produtos alimentares africana, asiática e de muitos países latino-americanos. Como assim destruindo? Por exemplo, um caso da Namíbia e África do Sul ocorrido recentemente. Os enlatados, o extrato de tomate, por exemplo, que vem da Europa, a um preço menor, porque a matéria- prima foi subsidiada, destruiu os plantadores de tomate da Namíbia, porque eles não tinham preço para competir, o custo de produção deles era mais elevado do que este produto que chegava no próprio mercado. Então o que fazem? Normalmente vendem as terras para o médio ou grande proprietário, sendo inclusive causa da chamada concentração da propriedade, que não tem poder de competição, então gera uma estrutura fundiária concentracionista e ele migra para a cidade, inchando os bolsões de pobreza da periferia das cidades. Eu acredito que os subsídios são mais graves do que o problema da produção de biocombustíveis. No caso brasileiro me parece que está claro que não, pois a abundância de terras é muito grande, mas no caso dos Estados Unidos, o subsídio dado ao milho, fazendo lá um etanol a um preço muito mais elevado, isso é problemático. A transformação no México, a invasão das transnacionais de alimentos acabaram erradicando o milho, que é o alimento básico do mexicano, tradicional, que vem desde os astecas, gerando uma inflação do preço do milho no mercado, e a substituição das culturas de produtos alimentares do mexicano, por produtos adaptados ao gosto do consumidor norte-americano, então, a força persuasiva da publicidade também, na mudança de hábitos alimentares nativos. Eu diria o seguinte - não existe uma causa determinante da fome, é isso que eu mostro no meu livro, é uma conjugação de fatores. Os grandes impérios coloniais substituem a agricultura alimentar pela agricultura comercial de exportação - amendoim, algodão, como na década de 80, aqueles atores, cantores, se reuniram, fizeram aquele lindo show para o flagelo da fome na Etiópia, só que tem um paradoxo, na Etiópia, enquanto fizeram aquele show, o povo passava fome, não tinha o que comer, os portos da Etiópia estavam carregados de fardos de algodão para ser exportado para a Europa, para a indústria têxtil. Pelos países daqueles músicos. Veja que curioso - esta substituição da agricultura de produtos alimentares pela comercial de exportação é uma das causas da fome. Na África e continua hoje na Ásia. Na utilização da terra no Brasil onde se predomina o produto de exportação em detrimento do alimentar. Não estou responsabilizando o agricultor não. Se eu fosse agricultor eu plantaria aquilo que me dá maior renda. Por isso que há necessidade, no caso da Amazônia hoje, tão dilapidada, a urgência de um zoneamento agro-ecológico. No meu ponto de vista é uma conjugação de fatores que começa por aí, na utilização da terra. Está sendo utilizada para o mercado externo ou para o mercado interno? Isso pesa muito na explicação. Não houve a crise do arroz? Que é uma agricultura alimentar, no entanto se vê aí a extensão fantástica da agricultura comercial de exportação. Esse modelo de ocupação da terra, segundo as necessidades do mercado externo, ocorre na América Latina, ocorre na África, ocorre na Ásia e nos países vulneráveis à fome. A África exporta produtos da agricultura comercial e importa produtos alimentares. Olha que paradoxo.
Angelo - Claro que não na mesma proporção.
Melhem - Não, a balança comercial sempre está deficitária. Porque as oligarquias locais se apropriaram das melhores terras, de maior rendimento, em detrimento da população de baixa, do camponês que está nas piores terras. O caso da África é terrível em termos de política. Como no Zimbábue, o homem não quer sair do poder de jeito nenhum e está ameaçando conflitos violentos internos caso a oposição vença, pois ali a herança do neo-colonialismo foi trágica, como também no nosso caso. Nós estamos nos libertando não faz muito tempo dessas heranças.
Régis - O senhor acredita que estamos nos libertando?
Melhem - Estamos. Talvez caindo em outra, que hoje são as grandes corporações multinacionais, que não têm cara. É a globalização, que nada mais é do que uma outra fase do avanço do capitalismo.
Angelo - Com a expansão econômica da China, como vai ficar a geografia do poder no mundo?
Melhem - Você sabe que com os investimentos chineses, o orçamento militar está crescendo de ano para ano. Eles investiram em pesquisas científicas, já estão sobrevoando o espaço e essa geografia do poder deve se alterar, provavelmente, pelo que eu tenho lido, em cerca de 25 a 30 anos.
Angelo - Rápido.
Melhem - Muito rápido, pois hoje em dia as coisas são muito aceleradas. Nesta revolução da tecnologia da eletrônica, a computação, as mudanças são rápidas. Então esta geografia do poder vai ter um confronto muito sério no extremo Oriente, no que diz respeito ao Japão, onde o Japão, após a Segunda Guerra deixou de se militarizar, foi uma condição colocada pelos Aliados, ele vem agora investindo em armamentos. Então essa geografia do poder deverá se alterar. Já existem autores dizendo que de um mundo que era bipolarizado, se tornou unipolar com a desagregação da União Soviética e a hegemonia dos Estados Unidos, que diante das dificuldades internas hoje dos Estados Unidos, nós estamos caminhando para um retorno a uma multipolarização ou provavelmente a não existência de uma polarização. Isso está sendo ainda debatido na área da geopolítica.