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Sabado, 21 de Junho 2008 - 15h31
RITMO LENTO A menor taxa de crescimento do município a partir da década de 1990 se deve à queda na taxa de natalidade
Se houvesse acerto numa previsão – mais do que isso, numa estimativa – feita em meados da década de 1970, Ribeirão Preto estaria com 1 milhão de habitantes nesta semana em que comemora seus 152 anos de fundação. Os números oficiais da realidade atual, porém, apontam a cidade com cerca de 550 mil moradores, ou seja, pouco mais da metade do que se havia previsto.
Vários fatores influíram para ocasionar essa enorme diferença, segundo o engenheiro José Aníbal Laguna, secretário municipal de Obras e que, na época em que foi feita aquela estimativa, integrava a equipe que elaborava a documentação do plano diretor do município. Laguna lembra que a previsão feita em 1974 tomou por base fatos que realmente levavam a acreditar numa expansão populacional muito mais intensa.
Imaginação e realidade
O que então se imaginava: Ribeirão Preto, com população estimada em 250 mil habitantes em 1974 (o recenseamento de 1970 havia apontado 218.496 ante 147.361 em 1960) chegaria a 320 mil em 1980, 475 mil em 1990 e passaria de 700 mil habitantes na virada do século. E nesse ritmo poderia ultrapassar a marca de 1 milhão de habitantes em 2008.
Mas, de fato, o que aconteceu: a população de 1980 captada pelo censo foi de 318.496 habitantes, com pouca diferença em relação ao que se previa; a de 1991 (censo realizado um ano mais tarde do que o programado) foi de 436.682 habitantes, já uma boa diferença a menos; e a de 2000 foi de 505.053 habitantes, 200 mil a menos do que estimativa feita 26 anos antes.
O que furou
Quando se fez aquela estimativa, em 1974, prevendo o aumento populacional da ordem de 50% a cada década, ainda havia a influência do êxodo rural, segundo Laguna. Ele lembra que a área urbana de Ribeirão Preto atraiu moradores rurais não só deste, mas também de outros municípios, inclusive pela oferta de moradia com os grandes conjuntos habitacionais construídos pela Cohab na zona norte, no chamado Complexo Aeroporto.
Mas o que principalmente influiu no sentido de não se concretizar aquela previsão foi a diminuição no crescimento vegetativo. Quando a estimativa foi feita, quase não havia controle de natalidade pelas famílias, diz Laguna. E a prova disso é que não apenas em Ribeirão, mas no Brasil inteiro, diminuiu o ritmo de aumento da população.
IBGE contestado
Foi o que “felizmente aconteceu”, conclui Laguna, imaginando agora os problemas que a cidade estaria enfrentando com uma população bem maior. De acordo com a estimativa anunciada pelo IBGE, a população no ano passado era de 547.417, menos que os 559.650 estimados em 2006 pelo próprio instituto, que foi contestado tanto por Ribeirão como por várias outras cidades que tiveram oficialmente a população reduzida. A estimativa para 2008 será anunciada em julho ou agosto.
A população registrada pelo recenseamento de 2000 foi de 505.053 habitantes, com Ribeirão Preto então ostentando o 30º lugar entre as maiores cidades do Brasil e o oitavo entre as cidades mais populosas do Estado (atrás de São Paulo, Guarulhos, Campinas, São Bernardo do Campo, Osasco, Santo André e São José dos Campos). Após o recenseamento, de acordo com estimativas, Ribeirão Preto foi superada por Sorocaba e Uberlândia, passando então a ser a 9ª cidade mais populosa de São Paulo e a 32ª do Brasil.
Carlos Alberto Nonino
Especial para A Cidade