Júlio Chiavenato
Sabado, 21 de Junho 2008 - 15h52 É impossível provar que o que não existe, não existe. Para provar que o que não existe, não existe, seria necessário que o que não existe, existisse. Se não existe, não há o objeto de estudo. Para conhecê-lo em si, e negá-lo, precisaríamos de sua existência concreta. O que prova que o que não existe, não tem existência real e, assim, é impossível provar sua inexistência: simplesmente porque não existe. Portanto, não se prova que Deus não existe. O fardo seria provar que ele existe.
Para “provar” que o que não existe, não existe, temos apenas as conjeturas da existência a ser negada daquilo que não existe. Assim, “Deus não existe” é um axioma improvável, pois Deus não existe como objeto concreto do qual se pode negar a existência. Nessa questão trabalha-se, portanto, com as conjeturas que propõem a existência de algo inexistente: se não existe, como saber se existe?
A fé existe, nos sentimentos e crenças. O objeto da fé é subjetivo, na adoração do que não existe materialmente no mundo real. Se o objeto da fé existe como alienação, Deus, que não existe materialmente, não pode ser objeto de análise, não é mensurável material ou intelectualmente. É uma alienação, projeção de sensações que a ciência explica, mas cuja fonte não pode negar, porque como coisa em si, concreta, não existe.
Aquilo cuja existência real não comprovamos, não se presta à análise, só existe hipoteticamente, nas sensações da fé. Deus não é uma questão científica. O que a ciência pode explicar é a crença naquilo que não existe fora da alienação particular de uns e institucional das religiões.
Não é porque não existe que Deus deixa de agir no mundo real: não age para si, mas em si naqueles que nele crêem.