Caderno C
Segunda-Feira, 23 de Junho 2008 - 22h42
SEGUNDA VEZ Luana Helena venceu a negativa do pai para fazer suas tatoos
Luana Helena Dutra Tibério, 27 anos, sempre quis fazer uma tatuagem. A primeira, com a fada Sininho, foi feita há quatro anos na nuca, quando Luana já estava casada e fora da casa dos pais. Ela lembra que o pai chegava a dizer que “filho seu” jamais faria tatuagem. A mãe fez mil recomendações quando ela anunciou a decisão de fazer.
Ontem pela manhã, Luana esteve de volta a um estúdio de tatuagem no Centro de Ribeirão Preto. Dessa vez, ela foi fazer a segunda tatuagem: flores e borboletas no cóccix. Em vez de recomendações, Luana ouviu sugestões da mãe quanto ao desenho. O pai também teve que se acostumar. É que a irmã de Luana também aderiu às tatoos.
- Acho que hoje a tatuagem deixou de estar ligada a um grupo marginalizado. As mulheres fazem porque fica bonito e acaba trazendo uma marca pessoal, disse Luana.
A comerciante ainda faz questão de dizer que é mãe de uma menina de cinco anos e que vai apoiá-la, se ela quiser fazer uma taguagem quando crescer.
- Acho que as coisas mudaram muito, a minha irmã até queria que a minha mãe fizesse uma também, contou Luana.
Clientela em alta
A tatuadora Paula Maia Melo diz que, de fato, as mulheres não só aderiram à tatuagem como se tornaram as maiores clientes dos estúdios. Segundo ela, em média, a cada dez pessoas que buscam a tatuagem, sete são mulheres.
A maioria das mulheres opta por desenhos delicados quando faz a primeira tatuagem. São borboletas, flores ou até o nome dos filhos, os mais escolhidos. São sempre tatuagens pequenas e bastante coloridas se comparadas às dos homens.
Paula diz que deixa as clientes à vontade para olhar desenhos e escolherem aquilo que mais combina com o estilo de cada uma. Ela acha que, por fim, o profissional deve ser consultado por ter condições de avaliar entre os desenhos escolhidos, o que vai ficar melhor. Os lugares do corpo mais visados pelo público feminino são os pés, o pescoço, a virilha e o cóccix.
A tatuadora afirma, no entanto, que é muito comum que as mulheres ousem mais na segunda tatuagem, saindo do convencional e escolhendo desenhos menos comerciais, por exemplo. Para ela, muito da adesão das mulheres à tatuagem também tem a ver com o aprimoramento dos tatuadores, das máquinas e dos pigmentos que permitem desenhos mais bonitos e delicados.
Preconceito menor
A tatuadora Fernanda Carolina Lourençon afirma que aumentou muito a procura de mulheres por tatuagem porque houve uma diminuição do preconceito em relação a este tipo de arte.
- Isso faz com que elas [as mulheres] se sintam mais à vontade para ornamentar seus corpos. Hoje a procura maior por tatuagens é das mulheres. Muitas vezes até, a tattoo é usada para disfarçar pequenas imperfeições e cicatrizes de todo o tipo de cirurgia, disse Fernanda.
A tatuadora aconselha as mulheres a escolherem bem o desenho.
- É preciso ter certeza de que é aquilo mesmo que ela quer, pois irá acompanhá-la por toda a vida. Escolher um bom profissional, observar toda a parte de biossegurança do local. Isso, na verdade, vale para homens e mulheres, para todos que decidem fazer tatoo, orienta a tatuadora.