Vicente Golfeto
Segunda-Feira, 23 de Junho 2008 - 23h3 A história – que Heródoto considerava a mestra da vida – é uma das ciências mais contestadas. Começa que há os que entendem que ela não é ciência coisa nenhuma. Sendo feita de tempo passado, a história tem uma matéria-prima singular.
Mas história é a ciência da experiência. Conhecendo-a pode-se não se cometer os erros já cometidos por antepassados, pelos que nos antecederam seja a micro história, seja a macro, aquela na qual nós logo pensamos quando falamos dela.
Henry Ford dizia que “a história é um engodo”. Daí extrai-se uma lição da história. É aquela segundo a qual os norte-americanos não se preocupam com a história. Povo vencedor, a história – para eles – nada mais é do que algo que, passado, não se repete mais. E não deixa lição alguma. Entendo que a história não é apenas o que aconteceu no passado. História é aquilo que as pessoas, no presente, pensam e dizem sobre o passado. Vamos a um exemplo para tentarmos esclarecer. Estudou-se – até os anos oitentas do século passado, mais ou menos – a 1ª Guerra Mundial (1914/1 918) e mesmo a 2ª Guerra Mundial (1939/1945) como conflitos globais. A evolução dos continentes, a eliminação gradativa de fronteiras políticas dos países, a transformação de nações em simples mercados, a unificação européia sobretudo, permitem outra visão destes dois conflitos. Eles seriam apenas guerras civis européias.
Robert Samuelson, entretanto, tem outra explicação para o menosprezo a esta fascinante área do conhecimento humano. Ele diz que “o desdém pela história pode ser libertador pois faz com que nos concentremos nas oportunidades futuras e não nos fracassos e ressentimentos do passado”. Mas cabe a pergunta: e aqueles que têm no passado um território e um tempo de sucesso? Em outras palavras: aqueles povos em que o passado não apenas é maior do que o presente mas tem todas as condições de ser maior do que será o futuro?