Jornal A CIDADE

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Júlio Chiavenato

Segunda-Feira, 23 de Junho 2008 - 23h3

Venda apressada


Há algum tempo a Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto soltou um balão de ensaio, para conhecer as reações sobre a venda dos prédios da CEAGESP, onde se festejou o centenário da cidade. Exceto um artigo nesse canto de página ninguém questionou mais seriamente e o doutor prefeito foi em frente. O Diário Oficial de 19-06, publicou a licitação para a venda, estipulando o preço mínimo de R$ 2,6 milhões. Segundo a licitação, ali só serão permitidos edifícios para o comércio e indústria. Residências estão proibidas.
Essa área ficou abandonada, como de costume, e foi adquirida pelo falecido prefeito Jábali, para a construção de um centro administrativo. Porém, quase todas as áreas públicas cobiçadas pela “iniciativa privada” são “esquecidas”, até que se deteriorem e não se encontre outra “solução” se não vendê-las. Ou doá-las. Ou trocá-las em negócios mal explicados, como já fizeram até com uma rua.
No caso dos terrenos da CEAGESP, não é estranho que a licitação determine o tipo de construção para o local? Perguntar, espero, não ofende ninguém. Menos ainda ao doutor prefeito, que já tem uma história registrada na Justiça: está condenado duas vezes por improbidade administrativa em decorrência da licitação do Calçadão, obrigado a devolver R$ 1 milhão por prejuízos causados ao erário público. Essa condenação não é definitiva, o caso arrasta-se há quase vinte anos e, como é comum no Brasil, pode prescrever.
Com tal histórico, ainda réu e condenado em primeira e segunda instâncias, em fim de mandato, não deveria haver pressa. Por que não submeter o caso a uma análise mais apurada, com um novo prefeito e uma nova Câmara que, espera-se, não seja tão omissa (ou cúmplice) como a atual?

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