Geral
Segunda-Feira, 23 de Junho 2008 - 23h28
POLÍCIA Sargento Marinho mostra o bafômetro
Ribeirão Preto tem apenas um bafômetro para fiscalizar uma frota de 330 mil veículos. A informação é da Polícia Militar. A polêmica lei, em vigor desde o dia 20, diz que o motorista está proibido de dirigir com qualquer nível de álcool no sangue. Se flagrado, terá de pagar multa de R$ 955. A infração é gravíssima e dá sete pontos na carteira.
“Gostaria que tivéssemos um equipamento para cada viatura, mas há outras formas de se constatar a embriaguez”, diz Wagner Aparecido Barato, capitão da PM, responsável pelo trânsito em Ribeirão.
Além do bafômetro, segundo Barato, outros testes são o exame clínico, exame de sangue ou prova testemunhal.
Além da multa, a nova lei estabelece a apreensão do veículo. A habilitação fica suspensa por um ano.
No caso de acidente com morte, se comprovada a embriaguez do motorista, será acusado de homicídio doloso, ou seja, com a intenção de matar.
De acordo com a Polícia Rodoviária, sua área de atuação na região abrange 62 municípios. Para todos, apenas um bafômetro. Isto é, um equipamento para a fiscalização de quase 2.000 km de estrada.
“O ideal seria termos mais, mas temos outros meios de prova para autuar”, afirma o Comandante interino da 4ª Companhia, Luiz Eduardo Ulian Junqueira.
Estatística
Dados da Transerp (Empresa de Trânsito e Transporte Urbano de Ribeirão Preto) mostram que, no ano passado, em relação a 2006, houve um aumento de 10% no número de acidentes com vítimas fatais.
No ano retrasado, foram 60, contra 66 em 2007. “É um número expressivo. Observamos que os acidentes violentos estão relacionados com o consumo de bebidas alcoólicas. Eles acontecem às sextas e sábados à noite, quando as pessoas saem para se divertir e acabam por abusar da bebida”, diz o diretor-superintendente da Transerp, Antonio Carlos Muniz.
Opiniões
Para o motorista Leonardo Americhi, 34, a lei não vai afetá-lo. “Sou consciente do que faço. Vou continuar bebendo e dirigindo”.
O mecânico de refrigeração Eduardo Queiroz, 36, afirma gostar da iniciativa. “Há quem exagere e atinge inocentes. Mas, infelizmente, não há como controlar tanta gente”, afirma.
Amauri do Nascimento Primo, 45, diz ser consciente. Quando bebe, combina pede que sua mulher dirija.
O autônomo Eduardo Corradi, 38, diz receber bem a lei, mas teme não haver fiscalização suficiente. “No começo, será feita. Mas logo esfria e o assunto cai no esquecimento”, afirma Corradi.
ANGELA PEPE
Especial para A Cidade