Jornal A CIDADE

Márcio Bernardes

Segunda-Feira, 30 de Junho 2008 - 23h7

Questão de Opinião


(São Paulo) - Na tribuna oficial do estádio Ernst Happel, em Viena, após a convincente vitória da Espanha sobre a Alemanha, Joseph Blatter e o Rei Juan Carlos sorriam e comemoravam.
A alegria do Rei de Espanha tinha suas razões. Seu país venceu pela segunda vez a Eurocopa. Há 44 anos os espanhóis não sentiam esse gostoso sabor. Já o sorriso de Joseph Blatter também transmitia uma preocupação: com o modelo atual, em pouco tempo a Eurocopa vai engolir a Copa do Mundo.
A competição realizada na Suíça e na Áustria teve todos os ingredientes positivos: bom índice técnico, belos jogos, estádios lotados e disputas emocionantes.
A Copa do Mundo foi inchada para manter o status-quo atual. E garante a dinastia Havelange-Blatter. Não se concebe tantos jogos na primeira fase de um Mundial com tantos países inexpressivos. Além do regulamento que dificilmente deixa de classificar para as oitavas-de-final as grandes seleções.
Apesar de ser parceiro de Michel Platini, Joseph Blatter sabe com precisão que dentro de pouco tempo a Copa do Mundo pode se tornar secundária em relação à Eurocopa.

Conversa ao pé do ouvido
Na cerimônia comemorativa da conquista da Copa do Mundo de 1958, que aconteceu semana passada no Palácio do Planalto, João Havelange trocou algumas palavras com Pelé, que acabou concordando com o cartola.
Mesmo num clima de harmonia e confraternização, o assunto era sério. Havelange lembrou a Pelé, que ele quando Ministro de Esportes de Fernando Henrique, foi alertado para o perigo que se desenhava com a nova Lei que regeria o futebol. Mal orientado e assessorado, segundo Havelange, Pelé ouviu o canto da sereia e não acreditou que os clubes poderiam ir à falência. Não deu outra: os empresários e procuradores estão cada vez mais ricos. E os clubes cada vez mais pobres.

Proposta indecente
O próprio Andrés Sanches espalhou a notícia; o apresentador Luciano Huck teria lhe feito uma proposta: investir no clube, tanto nas categorias de base, como trazendo jogadores profissionais para o time principal do Timão.
Não é possível acreditar numa coisa dessas. Mas também não se pode duvidar do presidente corintiano. O mundo anda tão maluco que hoje se confunde a paixão do torcedor com a razão do investidor.
Como escreveu Antonio Conselheiro: o sertão vai virar mar e o mar vai virar sertão.


Márcio Bernardes é âncora da Rede Transamérica de Rádio e professor universitário. Site www.marciobernardes.com.br

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