Jornal A CIDADE

Vicente Golfeto

Segunda-Feira, 30 de Junho 2008 - 23h23

Sociedade do espetáculo


O escritor francês Jacques Attali, em obra recentemente publicada, diz que “nos próximos cinqüenta anos, o mundo será dominado por duas indústrias: a da segurança e a do divertimento”.
A literatura costuma – como quase toda arte – antecipar o futuro.
O binômio segurança e divertimento sempre foi parte da atividade e dos negócios da máfia, sobretudo a Cosa Nostra. Primeiramente ofereceram diversão: mulheres, jogos, bebidas. Depois, segurança. Quem não aceitasse pagar já teria a sentença de morte previamente decretada.
A insegurança aumenta em todos os sentidos. Inclusive com o crescimento da competição, que faz recrudescer a era da incerteza. Quanto mais mercado, mais mercúrio. Quanto mais mercúrio, maior a insegurança. Ricos de ontem podem ser quase pobres de hoje. Mas pobres de ontem também podem ser muitos dos ricos da atualidade. Esta insegurança se acentua juntamente, claro, com a insegurança advinda do crescimento da criminalidade e do pavor que ela fatalmente tenderá a infundir. Como, aliás, já está infundido.
Por outro lado, a busca por diversões prosseguirá. E cada vez mais. A sociedade do espetáculo ajusta-se como uma luva a estes novos tempos. Que, inclusive, darão nova dimensão à atividade dos profissionais do sexo.
Este pano de fundo permite vislumbrar alterações muito grandes no que, até então, situava-se no âmbito singular da axiologia, parte da filosofia que estuda os valores. Além de se ter gradativamente a entronização do preço.
A pergunta mais comum, cada vez mais claramente feita, será: quanto custa? Qual preço? E de qualquer coisa, inclusive daquelas que se situavam no âmbito dos valores que não tinham contrapartida monetária.
Na sociedade do espetáculo, o superficial sempre terá mais peso do que o escondido. A pele continuará sendo a parte mais profunda do corpo humano.

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