Jornal A CIDADE

Júlio Chiavenato

Segunda-Feira, 30 de Junho 2008 - 23h23

Nas camarinhas


Na política brasileira, e na de Ribeirão Preto em particular, todo partido político com um pedacinho de poder, prevarica. Só não vendeu a alma e entregou a mãe os que nada têm para barganhar. Com o poder tudo é barganha, sem choro nem vela. O tamanho da bandalha depende do leilão. Às vezes quem se vende não recebe e ainda é obrigado a dar o troco.
Em Ribeirão Preto mais uma vez prova-se que não existem “candidaturas naturais”. Tudo é combinado nas camarinhas do poder. Ou nos desvãos da política. Na hora exata os poderosos agem sem escrúpulos, pois sabem que a sobrevivência da politicanalha depende de jogar aos leões os que ameaçam roubar a cena.
Nesse quadro afundam-se as “candidaturas naturais”. A mais cantada, louvada e confirmada “candidatura natural” em Ribeirão Preto era a de Fernando Chiarelli. Mas ele bateu a torto e direito em quem não devia, recebeu o troco. Outra “candidatura natural” foi a do professor José Aparecido, até que sua imagem valorizou o partido e os espertos deram o pulo do gato.
Sobrou a “candidatura natural” de Feres Sabino, do PT. Resta esperar se ela é para valer ou apenas ganhar tempo e lamber as feridas petistas até que a desmemória eleitoral possibilite a volta dos mandões e ressuscite a arrogância conhecida. Nem será preciso aguardar muito: assim que a campanha começar de fato as coisas ficarão claras... ou não.
Ou seja, tudo nos conformes. O distinto eleitor não votará nos “seus” candidatos, mas naqueles que os donos dos partidos escolheram, às vezes em conchavos espúrios e mal explicados. Detalhe insignificante: os donos dos partidos raramente aparecem, a não ser quando não acham outro jeito de aplicar a rasteira. Então cobram mais caro.

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