Hamilton de Andrade Lemos
Quarta-Feira, 2 de Julho 2008 - 0h52 Henry Ford dizia que o comprador de seus automóveis poderia escolhe a cor que quisesse: desde que fosse preta. Claro que isso aconteceu no tempo em que o arco-íris ainda era em preto e branco. Hoje a indústria automobilística oferece milhões de opções, mesmo que mais da metade dos carros vendidos continue sendo da cor prata e preta. É só dar uma olhada na rua.
Opções. É disso que o consumo é feito. Veja o caso da pizza. O número de combinações possíveis é tão grande que chega a causar confusões. Basta que duas ou mais pessoas estejam reunidas para pedir uma pizza para que haja discussão. Um não gosta de calabresa, outro não quer nada que tenha ovo e outro ainda prefere a escarola, mas desde que não tenha cebola e a borda não seja de requeijão. A única unanimidade é a muçarela. Ou mozarela, como querem os puristas.
A diversidade, de roupa a sabão em pó, é uma realidade de mercado. Com liberdade, você pode escolher entre a marca de mais qualidade, a mais barata, a que lava mais branco ou a que retira manchas encardidas.
O mesmo já não ocorre em nossa democracia. Nela, você é obrigado a escolher pessoas (nunca partidos) de quem, certamente, não compraria um carro. Pessoalmente, gostaria de votar no meu vizinho, que conheço e admiro como uma pessoa trabalhadora e honesta. Mas não. Tenho que dedicar meu voto a alguém estranho, escolhido em condições estranhas, com objetivos igualmente estranhos.
É como você ligar na pizzaria e só encontrar os sabores pepino com chocolate, filé com pasta de amendoim e queijo com feijão. Como você está com fome e não há opção, escolhe uma delas. Mas que fique bem claro: não era nada disso que você queria.